O resultado negativo foi influenciado por R$ 9,1 bilhões em eventos não recorrentes e fechamento de lojas.
17 de Agosto de 2026 às 10h22

Casas Bahia registra prejuízo de R$ 10,1 bilhões e anuncia reestruturação

O resultado negativo foi influenciado por R$ 9,1 bilhões em eventos não recorrentes e fechamento de lojas.

A Casas Bahia, uma das principais redes de varejo do Brasil, reportou um prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026. Esse resultado foi fortemente impactado por R$ 9,1 bilhões em eventos não recorrentes, que incluem a baixa de ativos e despesas relacionadas à reestruturação da empresa.

No mesmo período do ano anterior, a varejista havia registrado um prejuízo de R$ 555 milhões, o que demonstra uma deterioração significativa em seu desempenho financeiro. O prejuízo ajustado, que exclui efeitos extraordinários, foi de R$ 978 milhões, refletindo uma queda de 76,2% em relação ao ano anterior.

A receita líquida da companhia cresceu 1,6%, alcançando R$ 6,97 bilhões, mas o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) ajustado recuou 9,4%, totalizando R$ 518 milhões. O resultado foi apresentado na madrugada do último domingo (16), após dois adiamentos da divulgação do balanço.

O balanço financeiro revelou que, sem os ajustes, o prejuízo seria ainda maior, com a empresa enfrentando um cenário desafiador que inclui o fechamento de 298 lojas menos rentáveis como parte de seu novo plano de reestruturação. A companhia também está priorizando a geração de caixa e a rentabilidade em suas operações.

De acordo com a empresa, o plano de transformação está na fase 2, que visa redimensionar a operação, priorizando canais e categorias que oferecem maior rentabilidade. A companhia admitiu que pode considerar novas medidas formais de reorganização de passivos, incluindo a possibilidade de recuperação judicial.

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Os efeitos não recorrentes que impactaram o resultado incluem uma baixa de R$ 5,5 bilhões referente ao imposto de renda diferido, além de R$ 971 milhões em ágio e R$ 1,8 bilhão em contingências contratuais. Sem esses efeitos, o prejuízo ajustado teria sido de R$ 1 bilhão.

Apesar do resultado negativo, a operação da Casas Bahia apresentou um crescimento moderado, com um aumento de 10,9% no lucro bruto, que totalizou R$ 2,2 bilhões. O fluxo de caixa livre também foi um ponto positivo, com geração de R$ 798 milhões, uma alta de R$ 625 milhões em relação ao ano anterior.

A empresa enfrenta um cenário complicado, com a pressão da alta taxa de juros e o endividamento das famílias, que impactam diretamente no consumo. As notas explicativas do balanço indicam que a continuidade operacional da companhia depende da execução bem-sucedida das medidas previstas na fase 2 do plano de reestruturação, além de negociações com credores e fornecedores.

Analistas do Itaú BBA, que recentemente reavaliaram a empresa, destacaram a importância de um ambiente econômico favorável para a recuperação da Casas Bahia. Eles alertaram que as elevadas taxas de juros continuam a restringir os lucros e pressionar tanto o crescimento operacional quanto os resultados financeiros.

A companhia reconhece que algumas expectativas iniciais da reestruturação não se confirmaram, como a ampliação de prazos com fornecedores e a captação de crédito em condições favoráveis. A situação financeira da empresa é crítica, com um patrimônio líquido negativo de R$ 8,27 bilhões e perdas acumuladas de R$ 11,2 bilhões no semestre.

As perspectivas futuras da Casas Bahia dependem da implementação eficaz de sua reestruturação e da capacidade de honrar suas obrigações financeiras, em um cenário de incertezas econômicas.

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