Advogados sustentam que exigir consentimento inviabilizaria o uso de tecnologia nas campanhas eleitorais.
11 de Agosto de 2026 às 16h47

Defesa de Flávio Bolsonaro argumenta ao TSE que uso de IA não requer autorização prévia

Advogados sustentam que exigir consentimento inviabilizaria o uso de tecnologia nas campanhas eleitorais.

A defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma argumentação em favor do uso de Inteligência Artificial (IA) em campanhas eleitorais, mesmo sem a autorização da pessoa retratada. Segundo os advogados, a exigência de consentimento prévio poderia inviabilizar a utilização dessa tecnologia nas disputas políticas.

A manifestação foi protocolada ao relator do caso, ministro Kassio Nunes Marques, às vésperas de uma reunião convocada pelo presidente do TSE para discutir o uso de um vídeo gerado por IA, no qual o ex-presidente Jair Bolsonaro declara apoio ao filho durante a convenção do PL.

A discussão em torno do vídeo de IA gerou um debate sobre a necessidade de um novo entendimento do TSE em relação aos chamados “deepfakes do bem”, que não têm a intenção de enganar ou atacar adversários. A resolução do TSE proíbe o uso desse tipo de conteúdo para ludibriar eleitores, mas há divergências sobre a legalidade da criação de imagens e vozes de pessoas para fins de comunicação política.

Ministros da Corte estão divididos sobre o caso, e a questão central é se a ausência de consentimento configura automaticamente uma irregularidade ou se é necessário comprovar que o conteúdo foi utilizado para enganar o eleitor.

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Na petição, a defesa de Flávio argumenta que a falta de autorização é “absolutamente indiferente” para caracterizar um deepfake. Os advogados afirmam que o que realmente importa é a existência de conteúdo enganoso, e não a autorização do retratado.

“A ausência de autorização também é absolutamente indiferente em tema de identificação de deepfake: um vídeo de humor, uma paródia, uma sátira de um adversário político, sem qualquer enganosidade, não se converte em deepfake pela natural ausência de conhecimento e anuência da pessoa retratada”, defende a equipe jurídica do candidato.

Os advogados ainda ressaltam que condicionar o uso de IA ao consentimento prévio eliminaria a ferramenta das campanhas eleitorais. Para ilustrar essa tese, afirmam que “Lula jamais daria consentimento a paródias feitas por Flávio. E vice-versa”.

A manifestação foi protocolada em resposta a uma representação do Partido dos Trabalhadores (PT) contra o vídeo exibido na convenção do PL, onde Jair Bolsonaro aparece, por meio de IA, declarando apoio à candidatura de Flávio.

Além da discussão sobre o consentimento, a defesa argumenta que a resolução do TSE, aprovada em 2019 e atualizada no início deste ano, não proíbe o uso de IA em si, mas apenas conteúdos falsos ou descontextualizados que possam enganar o eleitor. Segundo os advogados, a norma prevê a transparência, o que indica que a Corte admite o uso da tecnologia, desde que o material seja claramente identificado como sintético.

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