Decisão da Primeira Turma do STF se baseia em declarações do parlamentar durante reunião da Câmara
19 de Agosto de 2026 às 08h37

STF torna deputado Gilvan da Federal réu por injúria contra Lula em sessão polêmica

Decisão da Primeira Turma do STF se baseia em declarações do parlamentar durante reunião da Câmara

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por unanimidade, tornar o deputado federal Gilvan da Federal (PL-ES) réu por injúria contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A denúncia foi apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que alegou que o parlamentar desejou a morte do petista durante uma sessão da Comissão de Segurança Pública da Câmara, realizada em abril do ano passado.

Durante seu discurso, Gilvan da Federal afirmou: “Por mim, eu quero mais é que o Lula morra. Eu quero que ele vá para o ‘quinto dos inferno’ (sic). É um direito meu”. O deputado prosseguiu com declarações desrespeitosas, mencionando que “nem o diabo quer o Lula” e desejando que o presidente tivesse um “ataque cardíaco” devido às suas ações no governo.

A relatora do caso, ministra Cármen Lúcia, argumentou que as declarações do deputado não se enquadram na proteção da imunidade parlamentar, que é destinada a garantir o exercício da função legislativa, e não para a prática de ofensas pessoais. “As expressões produzidas não veiculam crítica política ou fiscalização de atos de governo, mas configuram, em tese, ofensa pessoal dissociada da função institucional”, destacou a ministra.

Os ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino acompanharam o voto da relatora, enquanto o ministro Cristiano Zanin se declarou suspeito por ter atuado como advogado de Lula antes de ser nomeado ao STF. Moraes, em sua fala, enfatizou que a imunidade parlamentar não deve ser utilizada como justificativa para ofensas e agressões pessoais.

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“Atualmente, no Brasil, estamos vendo muitos grupos confundindo exercício de direitos com abuso do exercício de direitos. São coisas absolutamente diversas”, afirmou Moraes, ressaltando a necessidade de respeitar os limites da imunidade parlamentar.

O caso de Gilvan da Federal é emblemático em um contexto onde a retórica agressiva entre políticos tem se tornado comum. A decisão do STF pode servir como um marco para futuras ações envolvendo declarações de parlamentares e suas implicações legais.

A defesa do deputado argumentou que suas falas estavam protegidas pela imunidade parlamentar e solicitou o arquivamento da denúncia. No entanto, o colegiado do STF decidiu que havia indícios suficientes para prosseguir com o processo.

Com essa decisão, o deputado Gilvan da Federal se torna réu em um caso que pode ter repercussões significativas não apenas para sua carreira política, mas também para o debate sobre os limites da liberdade de expressão no contexto legislativo.

A expectativa agora recai sobre os próximos passos do processo judicial e como a situação será tratada nas instâncias superiores do Judiciário.

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