Carlos Viana busca apoio para criar CPMI que investiga Lulinha e irregularidades
Senador de Minas Gerais articula assinaturas para investigar supostas ligações do filho de Lula com o governo federal
O senador Carlos Viana (PSD-MG), que busca a reeleição nas eleições de outubro, anunciou nesta quinta-feira (20/8) sua intenção de criar uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar a atuação de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, em possíveis irregularidades envolvendo o Ministério da Saúde. A declaração foi feita após uma sabatina promovida pela Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte (Granbel).
Viana declarou que está em busca de assinaturas de senadores e deputados para formalizar o pedido, enfatizando a importância da investigação para esclarecer denúncias que, segundo ele, envolvem figuras próximas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O senador mencionou que as investigações se estendem à empresária Roberta Luchsinger e a um ex-integrante da estrutura da Presidência da República.
“Eu dei entrada em um pedido de CPMI, porque espero que a Câmara também participe dessa investigação. Precisamos esclarecer todos os detalhes sobre tráfico de influência e crime de responsabilidade por corrupção que estão sendo denunciados junto ao Ministério da Saúde”, afirmou Viana em conversa com a imprensa.
O senador criticou a possibilidade de que o inquérito seja transferido para a primeira instância da Justiça, o que, segundo ele, atrasaria as investigações. Viana expressou preocupação com a direção da Polícia Federal, que estaria sob suspeita de tentar trocar as equipes responsáveis pela apuração dos fatos.
“Há uma tentativa clara de se blindar as investigações e impedir que a população brasileira conheça o que está por trás de toda essa história. Precisamos que o Parlamento faça sua parte. Uma CPI ou uma CPMI é nossa obrigação”, defendeu o parlamentar.
Questionado sobre a viabilidade de aprovar a CPMI durante o período eleitoral, Viana afirmou que o calendário das eleições não deve obstruir a investigação. “É uma necessidade, independentemente das eleições que venham ou não. Não podemos deixar que denúncias tão graves como essas caiam no esquecimento”, declarou.
O senador também fez referência à sua participação na CPMI do INSS, onde enfrentou resistência da base governista. Ele ressaltou que uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) impediu a continuidade de parte das investigações. “O que não podemos aceitar é que a população brasileira não saiba quem é culpado e quem é inocente. Meu ponto de vista é a verdade”, afirmou.
Viana ainda destacou que cabe a cada parlamentar decidir se assinará o pedido, enfatizando que a população acompanhará o posicionamento de cada um em relação ao assunto. “Senador que não assinar vai ter que explicar o motivo para o eleitor brasileiro”, alertou.
O requerimento protocolado por Viana menciona informações obtidas a partir de investigações da Polícia Federal sobre negociações envolvendo o mercado de cannabis medicinal. O documento cita um contrato para fornecimento de medicamentos à base de canabidiol que teria sido encaminhado por Roberta Luchsinger a Marco Aurélio Santana Ribeiro, ex-chefe de gabinete de Lula.
Embora a negociação não tenha sido concretizada, o requerimento ressalta que a criação da CPMI não anteciparia responsabilidades, mas serviria para reunir documentos e depoimentos que esclareçam a participação de cada envolvido e verificar se houve pagamentos ou promessas de vantagens.
Além disso, o senador divulgou um vídeo onde afirma que pretende mobilizar eleitores para pressionar os senadores a aderirem ao requerimento. “Senador que não assinar vai ter que explicar o motivo para você, que é o eleitor brasileiro”, finalizou Viana.
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