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Gripe aviária está a um passo de se tornar transmissível entre humanos, alertam especialistas
Cientistas destacam que o vírus H5N1 pode sofrer mutações que o tornem capaz de infectar pessoas, aumentando o risco de pandemia.
A gripe aviária, causada pelo vírus H5N1, tem se mostrado uma preocupação crescente entre especialistas em saúde pública, especialmente após o aumento de casos de infecções em mamíferos, incluindo gado nos Estados Unidos. Neste ano, a incidência de pessoas infectadas pelo vírus se intensificou, levantando alarmes sobre a possibilidade de uma nova pandemia.
Embora a transmissão entre humanos ainda não tenha sido registrada, os cientistas alertam que o cenário pode mudar rapidamente. Um estudo recente publicado na revista Science revelou que o H5N1, que atualmente infecta aves e mamíferos, está a apenas uma mutação de se tornar capaz de se espalhar entre seres humanos.
A variante do vírus que tem causado infecções em vacas leiteiras nos Estados Unidos, conhecida como clado 2.3.4.4b, apresenta características que, se alteradas, poderiam facilitar a transmissão entre humanos. A pesquisa indica que uma modificação na hemaglutinina, uma proteína que permite ao vírus se ligar às células, poderia transformar o H5N1 em uma ameaça pandêmica.
O pesquisador de doenças infecciosas Ting-Hui Lin, autor principal do estudo, enfatiza que “as descobertas demonstram o quão facilmente esse vírus pode evoluir para reconhecer receptores do tipo humano”. Sem a mutação, o H5N1 ainda pode infectar humanos, mas com dificuldades, exigindo uma carga viral alta, como o contato constante com animais infectados.
Se a mutação ocorrer, a gripe aviária poderia ser transmitida de forma semelhante a outros vírus da gripe, através de gotículas de saliva ou secreções liberadas ao falar ou espirrar. Os cientistas alertam que, embora essa mutação ainda não tenha ocorrido, mudanças simples na composição do vírus não são impossíveis e podem acontecer a qualquer momento.
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Desde 2003, a Organização Mundial da Saúde (OMS) registrou que cerca de metade dos 904 pacientes infectados pelo H5N1, que tiveram contato com animais, morreram. Essa estatística gera preocupações sobre a gravidade de uma possível pandemia, especialmente considerando que a gripe aviária não possui imunidade acumulada na população humana.
Além disso, a disseminação do H5N1 entre mamíferos, como focas e leões-marinhos, e a recente infecção de vacas leiteiras, indicam que o vírus está se adaptando a novos hospedeiros. A situação é ainda mais alarmante quando se considera que 58 pessoas testaram positivo para a gripe aviária nos EUA neste ano, incluindo casos sem histórico de exposição a animais infectados.
Os especialistas em saúde pública, como Meg Schaeffer, epidemiologista de doenças infecciosas, afirmam que “a gripe aviária está batendo à nossa porta e pode iniciar uma nova pandemia a qualquer momento”. A necessidade de vigilância e testes contínuos é crucial para evitar um cenário catastrófico.
Recentemente, o Departamento de Agricultura dos EUA anunciou planos para testar o suprimento de leite do país em busca do vírus da gripe aviária, especialmente o leite cru, que tem sido repetidamente contaminado devido ao surto entre vacas leiteiras. A preocupação é que a contaminação possa se espalhar e afetar a saúde pública.
Os cientistas continuam a monitorar a situação de perto, enfatizando a importância de acelerar os testes e garantir o compartilhamento de informações entre agências e países. A possibilidade de uma pandemia de gripe aviária é um alerta que não pode ser ignorado, e a preparação é fundamental para mitigar os riscos associados a essa ameaça emergente.
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