Haddad afirma que aporte do Tesouro aos Correios depende de reestruturação
Ministro da Fazenda destaca que qualquer ajuda financeira deve seguir regras fiscais estabelecidas
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta quinta-feira (4) que o Tesouro Nacional poderá realizar um aporte financeiro nos Correios, mas apenas se respeitar as normas do arcabouço fiscal e após a aprovação de um plano de reestruturação da estatal. Durante a coletiva, Haddad enfatizou a necessidade de um planejamento adequado antes de qualquer decisão.
“Pode haver um aporte, o Tesouro está estudando. Vamos considerar todas as variáveis para tomar a decisão”, declarou o ministro, ao ser questionado sobre a possibilidade de um apoio financeiro ao Correios.
Haddad também ressaltou que a exclusão de R$ 10 bilhões da meta fiscal das estatais, incluída no projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026, foi uma medida preventiva. Essa ação visa possibilitar que o governo, caso necessário, realize um aporte nos Correios.
O Correios enfrenta uma grave crise financeira, acumulando um prejuízo de R$ 6 bilhões até setembro deste ano. A situação crítica levou o governo a implementar um contingenciamento de R$ 3,3 bilhões nas despesas, a fim de garantir o cumprimento da regra fiscal que estabelece um déficit zero.
“Não vamos fazer um aporte sem o plano de reestruturação aprovado. Nem empréstimo, nem aporte, nem aval. Tudo depende da reestruturação da companhia”, afirmou Haddad, deixando claro que a solução para a crise da estatal passa pela aprovação desse plano.
Recentemente, o Tesouro Nacional rejeitou a garantia da União para um empréstimo de R$ 20 bilhões solicitado pelos Correios. A proposta, que já havia sido aprovada pelo conselho da empresa, envolvia um consórcio de bancos, mas foi considerada inviável devido à taxa de juros elevada, que ultrapassava o teto de 120% do CDI.
Durante a coletiva, Haddad também comentou sobre a reunião que teve com o encarregado de negócios dos Estados Unidos, Gabriel Escobar, onde discutiram a cooperação entre os países para investigar operações financeiras ligadas à lavagem de dinheiro. O ministro destacou o entusiasmo de Escobar em relação à proposta de parceria no combate ao crime organizado.
Por fim, Haddad se mostrou otimista em relação à resolução de questões comerciais entre Brasil e Estados Unidos, afirmando que “aos poucos estamos superando esse mal-entendido”.
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