Maduro propõe diálogo com EUA sobre petróleo, migração e combate ao narcotráfico
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, se mostrou aberto a negociações com os Estados Unidos sobre diversos temas.
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou em entrevista nesta quinta-feira (1º) que está disposto a "conversar seriamente" com os Estados Unidos sobre acordos que envolvem petróleo, migração e a luta contra o narcotráfico. A declaração ocorre em um momento de crescente tensão entre os dois países.
Maduro afirmou: "Se [os Estados Unidos] quiserem conversar seriamente sobre um acordo de combate ao narcotráfico, estamos prontos". Ele também sugeriu um pacto que permitiria investimentos americanos no setor de petróleo, similar ao que já ocorre com a empresa Chevron, e mencionou a possibilidade de discutir a deportação de venezuelanos. "Onde e como eles quiserem", completou o presidente.
Além de propor o diálogo, Maduro foi questionado sobre um suposto ataque americano a uma instalação de narcotráfico em território venezuelano, conforme alegações do ex-presidente Donald Trump. O mandatário venezuelano evitou confirmar ou desmentir o ataque, mas indicou que o tema poderia ser abordado em futuras conversas. "Isso pode ser tema para uma conversa em alguns dias", disse ele ao jornalista espanhol Ignacio Ramonet, que fez a pergunta.
Na semana anterior, Trump havia declarado que os Estados Unidos destruíram um atracadouro utilizado pelo tráfico de drogas na Venezuela, o que marcaria a primeira ação militar americana em solo venezuelano. Essa situação aumenta a pressão sobre o governo de Maduro, que já enfrenta sanções e críticas internacionais.
A proposta de diálogo de Maduro ocorre em um contexto de operações militares americanas na região, que têm como objetivo o combate ao narcotráfico. As autoridades dos EUA têm intensificado suas ações contra o tráfico de drogas, e a Venezuela tem sido um foco de atenção devido ao seu papel nesse cenário.
Recentemente, a Casa Branca anunciou uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levem à prisão ou condenação de Maduro, refletindo a determinação dos Estados Unidos em lidar com a situação na Venezuela. O governo americano também tem se mostrado interessado nas vastas reservas de petróleo do país, consideradas as maiores do mundo.
Em meio a esse cenário, Maduro e Trump chegaram a manter conversas por telefone em novembro, mas os contatos não resultaram em avanços significativos, uma vez que o presidente venezuelano demonstrou resistência em deixar o poder. A situação continua a ser monitorada de perto por analistas internacionais, que aguardam os desdobramentos das propostas de diálogo.
Com as tensões entre os dois países em alta, a disposição de Maduro para o diálogo pode ser vista como uma tentativa de amenizar a pressão internacional e buscar novos caminhos para a Venezuela, que enfrenta uma grave crise econômica e social.
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