Trump nega guerra com a Venezuela e descarta novas eleições em 30 dias
O presidente dos EUA afirmou que é necessário estabilizar o país antes de qualquer votação, em entrevista à NBC News.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em entrevista à NBC News nesta segunda-feira, 5, que o país não está em guerra com a Venezuela, mas sim em combate contra o tráfico de drogas. Ele descartou a possibilidade de novas eleições no país sul-americano nos próximos 30 dias, afirmando que a prioridade é consertar a nação antes de qualquer votação.
“Não, não estamos (em guerra)”, disse Trump, enfatizando que a verdadeira batalha é contra aqueles que vendem drogas e que esvaziam suas prisões, enviando criminosos e dependentes químicos para os Estados Unidos. O presidente destacou a necessidade de estabilizar a Venezuela antes de qualquer processo eleitoral, afirmando: “Primeiro precisamos consertar o país. Não dá para ter eleição. Não há a menor chance de as pessoas sequer votarem”, declarou.
Trump também mencionou que os Estados Unidos podem subsidiar empresas petrolíferas para ajudar na reconstrução da infraestrutura energética da Venezuela, um projeto que, segundo ele, poderia ser realizado em menos de 18 meses, embora custasse uma quantia significativa de dinheiro. “Uma quantia enorme terá que ser gasta, e as companhias petrolíferas vão gastar, e depois serão reembolsadas por nós ou através da receita”, explicou.
Durante a entrevista, Trump destacou a formação de um grupo de autoridades americanas, incluindo o secretário de Estado, Marco Rubio, e o secretário de Defesa, Pete Hegseth, que supervisionarão o envolvimento dos EUA na Venezuela. Ao ser questionado sobre quem estaria no comando final, ele respondeu: “Eu”.
Na mesma data, Delcy Rodríguez, ex-vice-presidente de Nicolás Maduro, foi empossada como presidente interina da Venezuela, em uma cerimônia no Parlamento. Rodríguez, que assumiu o cargo em meio a tensões políticas, declarou que pretende trabalhar com a administração Trump, mas criticou a recente ação militar dos EUA que resultou na captura de Maduro e sua esposa, Cilia Flores.
“Venho com tristeza pelo sofrimento infligido ao povo venezuelano após uma agressão militar ilegítima contra a nossa pátria”, disse Delcy, referindo-se à prisão do casal como um “sequestro” e chamando-os de heróis. Ela enfatizou que seu foco será trazer Maduro de volta ao poder.
Jorge Rodríguez, irmão de Delcy e presidente da Assembleia Nacional, também se manifestou, afirmando que seu principal objetivo é restaurar Maduro ao cargo. Ele pediu união e diálogo com a oposição, afirmando: “Unidos, venceremos”.
Enquanto isso, Nicolás Maduro Guerra, filho de Maduro, expressou seu apoio incondicional a Delcy e pediu a devolução de seu pai e da madrasta ao país. Ele denunciou ter sido citado como co-conspirador nas acusações que pesam sobre seu pai e a esposa.
Maduro, que se declarou inocente das acusações de narcoterrorismo durante sua audiência em um tribunal dos Estados Unidos, afirmou que ainda é o líder da Venezuela, apesar da posse de Delcy. O secretário de Estado, Marco Rubio, reiterou que os EUA não governarão o dia a dia da Venezuela, mas aplicarão uma “quarentena do petróleo” já existente.
A nova postura de Rodríguez, que busca relações respeitosas com os EUA, representa uma mudança em relação ao tom mais desafiador adotado após a captura de Maduro. A mensagem conciliatória surge após Trump alertar que ela poderia “pagar um preço muito alto” caso não atendesse às exigências dos Estados Unidos.
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