Advogados alegam agravamento do quadro clínico e citam caso de Fernando Collor em novo pedido ao STF.
14 de Janeiro de 2026 às 13h07

Defesa de Jair Bolsonaro solicita novamente prisão domiciliar por problemas de saúde

Advogados alegam agravamento do quadro clínico e citam caso de Fernando Collor em novo pedido ao STF.

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro voltou a solicitar ao Supremo Tribunal Federal (STF) a concessão de prisão domiciliar, alegando problemas de saúde que o político de 70 anos enfrenta, incluindo as consequências de uma queda recente. Desde que foi condenado em setembro pela Primeira Turma do STF a 27 anos e três meses de prisão por liderar uma tentativa de golpe de estado, os advogados têm buscado convencer o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, a permitir a mudança de regime prisional, mas sem sucesso até o momento.

No pedido mais recente, protocolado na noite de terça-feira (13), a defesa argumenta que existem “riscos clínicos concretos e reiteradamente advertidos pela equipe médica”. Os advogados afirmam que tais riscos deixaram de ser meras projeções e se tornaram “realidade objetiva”. Segundo eles, a prisão domiciliar não deve ser vista como um favor, mas como a única forma juridicamente adequada para garantir a preservação da saúde e da vida do apenado.

Atualmente, Bolsonaro está detido nas instalações da Polícia Federal em Brasília, desde 22 de novembro, quando tentou violar a tornozeleira eletrônica que utilizava. Durante esse período, ele recebeu autorização para ser transferido sob escolta a um hospital particular em diversas ocasiões, inclusive para a realização de uma cirurgia de correção de hérnia inguinal.

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Uma das transferências ocorreu em 7 de janeiro, após uma queda que resultou em um traumatismo craniano leve, conforme exames realizados. Apesar dessas circunstâncias, o ministro Moraes tem negado os pedidos de prisão domiciliar, argumentando que a legislação vigente não permite tal concessão, uma vez que a equipe médica da PF afirma ter condições de prestar atendimento adequado ao ex-presidente.

Além disso, a defesa de Bolsonaro destaca a necessidade de isonomia em relação ao tratamento dado ao ex-presidente Fernando Collor, que teve a prisão domiciliar autorizada uma semana após sua detenção, devido a problemas de saúde, como transtornos de personalidade e humor. Os advogados argumentam que Bolsonaro apresenta condições de saúde ainda mais graves, resultantes de uma facada que sofreu durante a campanha eleitoral de 2018 e das diversas cirurgias abdominais subsequentes.

Os problemas de saúde de Bolsonaro incluem comorbidades cardiovasculares e neurológicas, perda de massa muscular, instabilidade postural, apneia do sono grave e crises recorrentes de soluço. A defesa afirma que o risco à integridade física do ex-presidente “já se materializou” com a queda recente, reforçando a necessidade de um ambiente mais seguro e adequado para sua recuperação.

“A execução penal não pode se estruturar sobre a expectativa de que a sorte continue a intervir”, afirmam os advogados no documento apresentado ao STF. A expectativa agora recai sobre a resposta do ministro Moraes a esse novo pedido e se a defesa conseguirá, finalmente, a concessão da prisão domiciliar para o ex-presidente.

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