Ex-ministro da Energia da Ucrânia é preso por lavagem de dinheiro em escândalo de corrupção
German Galushchenko, ex-ministro de Energia, é acusado de envolvimento em esquema de suborno que abala o governo ucraniano.
A polícia anticorrupção da Ucrânia deteve, no último domingo, 15 de outubro, o ex-ministro de Energia German Galushchenko ao tentar deixar o país. Ele é acusado de participar de um esquema de lavagem de dinheiro que envolve milhões de dólares, em meio a um escândalo de corrupção que tem impactado o governo de Kiev durante a guerra com a Rússia.
Galushchenko, que ocupou o cargo de ministro de Energia de 2021 a 2025 e brevemente foi ministro da Justiça, foi preso no contexto do caso conhecido como "Midas", que envolve um suposto esquema de suborno de US$ 100 milhões na estatal nuclear Energoatom. Este caso já resultou na demissão de figuras importantes, incluindo o chefe de gabinete do presidente Volodymyr Zelensky.
De acordo com a Agência Nacional Anticorrupção da Ucrânia (NABU), Galushchenko é suspeito de ter obtido “benefícios pessoais” desse esquema, que teria desviado fundos destinados a projetos de infraestrutura, incluindo a proteção de instalações energéticas contra ataques aéreos russos.
As investigações revelaram que mais de US$ 7 milhões foram transferidos para contas no exterior, com a esposa e os quatro filhos de Galushchenko como beneficiários. Parte desse dinheiro foi utilizada para a educação das crianças em escolas de elite na Suíça, enquanto outra parte foi depositada em contas que geravam rendimentos adicionais para a família.
A NABU informou que o esquema foi orquestrado por aliados próximos ao presidente Zelensky, incluindo Timur Mindich, um empresário que fugiu para Israel antes de ser preso. Mindich é conhecido por ter fundado o estúdio de TV que lançou Zelensky como ator antes de sua carreira política.
O escândalo de corrupção se intensificou em 2025, levando a uma série de demissões e aumentando a pressão sobre o governo ucraniano, que já enfrenta desafios significativos devido à invasão russa. A luta contra a corrupção é vista como um pré-requisito essencial para a adesão da Ucrânia à União Europeia.
Desde a detenção de Galushchenko, a NABU tem recebido apoio de 15 instituições internacionais para ampliar o alcance das investigações. O diretor da agência, Semen Kryvonos, afirmou que a prioridade é garantir resultados concretos nas investigações, apesar da complexidade do caso.
O caso de Galushchenko é um dos mais significativos na luta da Ucrânia contra a corrupção, que tem sido um tema central na política do país, especialmente após a eleição de Zelensky, que prometeu limpar a política ucraniana. No entanto, a popularidade do presidente tem sido afetada por suas tentativas de limitar a independência das agências anticorrupção, o que gerou protestos e pressão de aliados ocidentais.
As investigações continuam, e a NABU já instaurou 737 processos, nomeou 218 suspeitos e obteve 95 condenações em 2025, evidenciando o comprometimento da agência em combater a corrupção no país.
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