Senador Flávio Bolsonaro critica alegoria de 'famílias em lata de conserva' e promete acionar o TSE
16 de Fevereiro de 2026 às 18h46

Flávio Bolsonaro anuncia ação no TSE contra homenagem a Lula no Carnaval

Senador Flávio Bolsonaro critica alegoria de 'famílias em lata de conserva' e promete acionar o TSE

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, revelou que pretende acionar rapidamente o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em resposta à homenagem feita ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante o desfile da Acadêmicos de Niterói, realizado na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, no último domingo (15).

Em seu perfil na rede social X, Flávio Bolsonaro expressou críticas à alegação de propaganda antecipada e ao uso de recursos públicos para ataques ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e à “família”. A crítica se refere à alegoria que retratou o que foi chamado de “famílias em lata de conserva”, uma ironia que, segundo a escola de samba, criticava o “neoconservadorismo enlatado”.

Outros parlamentares também se manifestaram contra a alegoria, considerando-a um ataque à “família tradicional” e um desrespeito à fé cristã. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) comentou: “Calma, a esquerda não odeia a família conservadora. É tudo conspiração... Lembre-se disso na hora de votar este ano, evangélico. Obs: a Globo colocando como 'crítica', mas se fosse cristãos fazendo essa crítica contra qualquer outra religião, seria a terceira guerra mundial”.

A deputada Carol de Toni, que deixou o PL no início do mês devido a divergências internas sobre sua candidatura ao Senado por Santa Catarina, também se manifestou. “Que fique como um alerta para quem ainda acha que é exagero. Está translúcido: o alvo são as famílias e os valores conservadores”, postou, compartilhando um trecho do vídeo da apresentação.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) afirmou que é “inadmissível ridicularizar a fé de milhões de brasileiros” e considerou a alegoria um deboche contra evangélicos e o modelo de família defendido por setores conservadores. Para ela, manifestações culturais não devem servir para atacar crenças religiosas.

O senador Sergio Moro (União Brasil-PR) também se posicionou, chamando a homenagem de “desrespeitosa com a família” e afirmando que o desfile tinha um viés político explícito. Em postagens na rede social, Moro comparou a exaltação a Lula a práticas de culto à personalidade.

Influenciadores de direita também se manifestaram, afirmando que o Carnaval não deveria ser um palco para “militância ideológica”. O empresário e ativista Alexis Fonatyne comentou: “Uma ala inteira ridicularizando os conservadores, colocando-os em latas de conserva? O que isso tem a ver com a história do Lula? É claramente uma crítica ideológica à direita conservadora”.

- CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE -

Além das reações, a oposição já havia questionado a inelegibilidade de Lula, um tema que gerou intensos debates nos últimos anos. Nesta segunda-feira (16), o deputado Filipe Barros (PL-PR) anunciou que irá protocolar uma ação no TSE contra o desfile em homenagem ao presidente.

No dia 12 de fevereiro, o TSE rejeitou, por unanimidade, uma liminar apresentada pelo partido Novo e pelo deputado Kim Kataguiri (União Brasil-SP) que buscava proibir o desfile da Acadêmicos de Niterói. A relatora, ministra Estella Aranha, indicada por Lula, argumentou que não cabe censura prévia e que eventuais irregularidades devem ser analisadas em momento oportuno.

O Tribunal de Contas da União também recebeu uma representação do Novo, que buscava impedir o repasse de R$ 1 milhão da Embratur à escola de samba. A área técnica da Corte recomendou a suspensão dos recursos, mas o relator, ministro Aroldo Cedraz, decidiu negar o pedido.

Paralelamente, a senadora Damares Alves e o deputado Kim Kataguiri moveram ações contra o presidente devido ao enredo da agremiação, mas as iniciativas foram rejeitadas pela Justiça Federal.

A alegoria que gerou polêmica fazia parte do enredo que homenageou Lula, intitulado “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. O desfile narrou a trajetória do ex-presidente desde sua infância em Pernambuco até sua chegada à Presidência da República, passando por sua atuação como líder sindical durante a ditadura militar.

A escola de samba construiu uma narrativa épica, com alas que representavam a seca nordestina, o chão de fábrica, as greves históricas e os programas sociais associados aos governos petistas. O refrão do samba exaltava a “esperança que brota do povo” e a “força do operário”, celebrando a biografia política de Lula.

A ala das “latas de conserva” surgiu no setor do desfile que abordava os embates ideológicos contemporâneos, simbolizando o que os integrantes da escola chamaram de “pensamentos engessados” ou “valores conservados no tempo”.

Veja também:

Tópicos: