Claudio Tapia, presidente da AFA, é proibido de deixar Argentina por evasão fiscal
Justiça argentina convoca Tapia e outros dirigentes da AFA para depor em investigação sobre sonegação de impostos
A Justiça argentina decidiu proibir Claudio Fabián "Chiqui" Tapia, presidente da Associação do Futebol Argentino (AFA), de deixar o país. A medida foi tomada após uma investigação que apura uma suposta sonegação fiscal que pode ultrapassar R$ 100 milhões. Além de Tapia, outros dirigentes da AFA também estão envolvidos no caso e deverão comparecer a um interrogatório marcado para o dia 5 de março.
A decisão judicial foi emitida pelo juiz Diego Amarante, responsável por tratar de matérias penais econômicas, após solicitação da Agência de Arrecadação e Controle Aduaneiro (ARCA), órgão que atua de forma semelhante à Receita Federal no Brasil. A investigação aponta que a AFA pode ter deixado de repassar impostos e contribuições à seguridade social, o que configura uma possível apropriação indevida de recursos públicos.
Os valores em questão envolvem tributos como o Imposto sobre Valor Agregado (IVA) e o Imposto de Renda, além de contribuições previdenciárias. A ARCA afirma que a AFA atuou como agente de retenção, mas não cumpriu com a obrigação de repassar os valores ao Estado dentro do prazo legal, que é de até 30 dias após o vencimento.
Segundo informações divulgadas pela imprensa local, a quantia não depositada corretamente inicialmente era de cerca de 7,5 bilhões de pesos argentinos, mas esse valor foi posteriormente ampliado para mais de 19 bilhões de pesos, o que representa uma quantia significativa em termos de evasão fiscal.
A AFA, que supervisiona a seleção argentina campeã mundial, também enfrenta uma investigação separada por possíveis práticas de lavagem de dinheiro. Em dezembro do ano passado, a entidade foi alvo de uma operação de busca e apreensão, onde documentos relacionados a transações suspeitas com uma instituição financeira privada foram coletados.
Tapia, conhecido por sua atuação na AFA, deverá prestar depoimento no dia 5 de março, enquanto o tesoureiro Pablo Toviggino, que também está proibido de deixar o país, comparecerá no dia seguinte. Outros dirigentes, como Cristian Ariel Malaspina, Gustavo Lorenzo e Víctor Blanco, também foram convocados para depor.
A AFA, em resposta às investigações, alegou que as acusações são parte de uma "campanha difamatória" em meio a uma disputa comercial relacionada à organização de amistosos da seleção argentina. A entidade também destacou que a denúncia teria o apoio do governo nacional, especificamente do Ministro da Justiça, Mariano Cúneo Libarona.
Até o momento, Tapia e os outros citados não se manifestaram publicamente sobre as alegações que pesam contra eles. A situação levanta preocupações sobre a transparência e a responsabilidade fiscal dentro das instituições esportivas na Argentina.
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