EUA consideram PCC e CV como ameaças à segurança regional, mas evitam classificação de terroristas
Departamento de Estado dos EUA destaca envolvimento de facções brasileiras com narcotráfico e crime transnacional
O Departamento de Estado dos Estados Unidos classificou as organizações criminosas brasileiras, Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), como “ameaças significativas à segurança regional”. Essa avaliação se deve ao envolvimento dessas facções com o tráfico de drogas, violência e crime transnacional.
Um porta-voz do Departamento de Estado afirmou que “os Estados Unidos veem as organizações criminosas do Brasil, incluindo PCC e CV, como ameaças à segurança regional devido ao seu envolvimento em atividades ilícitas”.
“Não comentamos previamente possíveis designações de organizações como terroristas. Estamos plenamente comprometidos em tomar as medidas apropriadas contra grupos estrangeiros que se envolvem em atividades terroristas”, acrescentou o órgão.
A declaração reflete a preocupação dos EUA com a expansão das atividades dessas facções além das fronteiras brasileiras. Recentemente, diversos países da América Latina aderiram à iniciativa Escudo das Américas, que visa combater a atuação de cartéis em todo o continente.
Embora o posicionamento do Departamento de Estado não confirme a inclusão do PCC e do CV na lista de Foreign Terrorist Organizations (FTO) do governo americano, a possibilidade de tal classificação está sendo considerada desde o ano passado. A administração do ex-presidente Donald Trump analisava essa medida como parte de uma estratégia mais ampla de combate ao narcotráfico.
O governo brasileiro, sob a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tem se oposto a essa classificação, argumentando que grupos como PCC e CV não se enquadram na legislação brasileira sobre terrorismo, que tipifica crimes motivados por razões religiosas, ideológicas, políticas ou de cunho preconceituoso.
A possível designação das facções como terroristas gera preocupações no governo brasileiro, especialmente no que diz respeito à soberania nacional. Um dos receios é que essa classificação possa abrir espaço para intervenções externas, similar ao que ocorreu na Venezuela, onde os EUA bombardearam embarcações sob o pretexto de combater o narcotráfico.
A situação se torna ainda mais delicada com a proximidade de uma reunião entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. Embora o encontro estivesse previsto para março, ainda não há uma data definida devido a desencontros de agendas e à recente escalada de tensões no Oriente Médio.
Fontes diplomáticas brasileiras relataram que os EUA estiveram no Brasil para coletar informações sobre as facções, mas não permitiram que o Brasil apresentasse sua interpretação sobre o terrorismo. Isso sugere que a mudança na classificação não seria uma surpresa para a atual gestão brasileira.
Embora a presença de membros do PCC e do CV nos Estados Unidos seja reconhecida, o foco principal dos criminosos estaria na lavagem de dinheiro, com registros de atividades de tráfico de drogas, especialmente na Flórida e Massachusetts, estados com grande população brasileira.
O governo brasileiro tem tentado negociar um projeto com os EUA para um combate conjunto ao crime organizado, mas a proposta foi recusada por Washington, que a considerou como uma tentativa de classificar as facções como narcoterroristas.
Especialistas em crime transnacional afirmam que a classificação das facções como terroristas teria efeitos práticos limitados, ampliando apenas as ferramentas legais e de inteligência disponíveis para as autoridades americanas. Contudo, o impacto direto sobre os grupos seria restrito, uma vez que eles não possuem uma presença significativa ou estruturas financeiras formais nos Estados Unidos.
Além disso, a designação poderia banalizar o uso do termo “terrorismo”, uma vez que facções como PCC e CV se enquadram mais na lógica do crime organizado, utilizando violência para controlar mercados ilegais, sem o objetivo central de produzir terror com fins políticos.
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