Senador Fabiano Contarato defende que convocação de testemunhas é essencial para investigações da comissão
10 de Março de 2026 às 17h59

CPI do Crime Organizado recorre ao STF para obrigar depoimento de Daniel Vorcaro

Senador Fabiano Contarato defende que convocação de testemunhas é essencial para investigações da comissão

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado protocolou, nesta segunda-feira (9), um recurso no Supremo Tribunal Federal (STF) com o objetivo de reverter a decisão do ministro André Mendonça, que tornou facultativa a presença do ex-banqueiro Daniel Vorcaro nas audiências da comissão.

O presidente da CPI, o senador Fabiano Contarato (PT-ES), argumenta que a comissão possui competência constitucional para convocar testemunhas e investigar possíveis conexões entre atividades financeiras suspeitas e organizações criminosas. Ele ressalta que transformar a convocação em um mero convite enfraquece os poderes da CPI, estabelecidos pela Constituição.

Na decisão de Mendonça, que ocorreu no dia 28 de fevereiro, o ministro destacou que o direito de um investigado à não autoincriminação abrange a faculdade de comparecer ou não ao depoimento, não havendo obrigatoriedade ou sanção pelo não comparecimento. Contarato, por sua vez, defende que essa interpretação compromete a capacidade investigativa da comissão.

A CPI havia aprovado a convocação de Vorcaro para o dia 25 de fevereiro, na condição de testemunha. No entanto, a decisão do STF gerou um impasse, levando a CPI a buscar a reconsideração da medida. O recurso foi protocolado pela Advocacia do Senado e, caso não haja reconsideração, a comissão solicita que o caso seja levado à 2ª Turma do STF.

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Além disso, a CPI argumenta que a decisão de Mendonça converteu uma convocação obrigatória em uma mera faculdade do depoente, esvaziando uma prerrogativa prevista na Lei das CPIs. A comissão pede prioridade na análise do caso, uma vez que a presença de Vorcaro é considerada essencial para as investigações em curso.

Atualmente, Vorcaro está detido na Penitenciária Federal de Brasília, após ser preso na Operação Compliance Zero, que investiga supostas fraudes financeiras e ocultação de patrimônio. A CPI intensificou o interesse no depoimento do ex-banqueiro após surgirem informações sobre movimentações atípicas que poderiam conectar o Banco Master, do qual ele era controlador, a outras instituições financeiras e figuras do Judiciário.

Em nota, a defesa de Vorcaro reiterou que o empresário está à disposição da Justiça nos processos em que é investigado, mas que sua ida à CPI fere garantias fundamentais, como o direito de não produzir provas contra si mesmo. O recurso protocolado pela CPI ainda aguarda análise do ministro André Mendonça, que deverá decidir se reconsidera sua decisão anterior.

A situação levanta preocupações sobre a autonomia das CPIs e a capacidade do Legislativo de conduzir investigações efetivas, especialmente em casos que envolvem figuras de destaque no cenário político e financeiro do país.

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