Procurador pede afastamento de Marcio Pochmann, presidente do IBGE, por irregularidades
Ministério Público aponta ações que podem comprometer a credibilidade do IBGE e influenciar dados eleitorais
O procurador Júlio Marcelo de Oliveira, do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU), solicitou o afastamento de Márcio Pochmann, presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A representação apresentada ao TCU destaca uma série de irregularidades que, segundo o procurador, podem comprometer a integridade técnica da instituição.
Entre as ações questionadas, estão a substituição de servidores de carreira por recém-ingressos e a proposta de criação da Fundação IBGE+, uma iniciativa que Pochmann defende desde 2024. Oliveira alerta para a “nomeação de servidores ainda em estágio probatório para funções de alta complexidade”, o que, segundo ele, pode afetar a qualidade dos dados produzidos pelo IBGE.
Uma das exonerações mais controversas foi a de Rebeca Palis, que atuava como coordenadora de Contas Nacionais e era reconhecida como uma das maiores especialistas do país na área. Sua saída, em janeiro, foi seguida pela renúncia de Cristiano Martins, que ocupou seu lugar, em solidariedade à pesquisadora.
O procurador criticou a proposta da Fundação IBGE+, afirmando que a utilização da estrutura e da marca institucional do IBGE para uma entidade privada exigiria autorização legislativa específica. Ele ressalta que, se a fundação fosse criada, poderia captar recursos próprios e atuar em áreas sensíveis da produção e tratamento de estatísticas oficiais.
Oliveira enfatiza que as estatísticas econômicas são particularmente sensíveis em anos eleitorais. “A divulgação de dados oficiais pode influenciar percepções sobre o sucesso ou fracasso de políticas econômicas, afetando diretamente o ambiente político”, afirmou na representação ao TCU. Ele também destacou a importância de evitar qualquer forma de instrumentalização política das estatísticas oficiais.
O procurador argumenta que a gestão atual do IBGE prejudica a credibilidade dos dados produzidos pela instituição, o que pode ter um impacto negativo sobre a confiança de agentes econômicos e, consequentemente, sobre a estabilidade fiscal do país. “A perda de confiança nos dados oficiais compromete diretamente a arrecadação projetada e a formulação de políticas públicas”, acrescentou.
Desde o início de sua gestão, Pochmann tem enfrentado resistência de servidores do IBGE, que acusam a administração de tentar criar um “IBGE paralelo” que desvia a atenção do que realmente importa para a sociedade. As denúncias incluem alegações de assédio e retaliação contra aqueles que criticam a gestão.
As ações de Pochmann têm gerado um clima de tensão dentro do IBGE, especialmente após a exoneração de Palis, que ocorreu às vésperas da divulgação do PIB (Produto Interno Bruto). A proposta da Fundação IBGE+, que foi suspensa pelo governo em janeiro de 2025, é vista como um fator central para a crise na instituição, uma vez que não houve consulta ao quadro técnico durante sua elaboração.
Veja também: