Mudança de política sinaliza flexibilidade do governo cubano após negociações com os EUA, diz Oscar Pérez-Oliva Fraga.
18 de Março de 2026 às 10h53

Cuba permitirá que cidadãos no exterior abram empresas na ilha, afirma vice-primeiro-ministro

Mudança de política sinaliza flexibilidade do governo cubano após negociações com os EUA, diz Oscar Pérez-Oliva Fraga.

Cuba anunciou que permitirá a cidadãos que vivem no exterior, incluindo aqueles nos Estados Unidos, investirem e possuírem empresas na ilha. A declaração foi feita pelo vice-primeiro-ministro Oscar Pérez-Oliva Fraga durante uma entrevista à NBC News, marcando uma mudança significativa na política econômica do país.

A decisão ocorre em um momento em que Cuba busca revitalizar sua economia, que enfrenta sérias dificuldades devido a um bloqueio econômico e sanções impostas pelos EUA. Pérez-Oliva Fraga, que também é o chefe do Ministério do Comércio Exterior, afirmou que Cuba está “aberta a ter um relacionamento comercial fluido com empresas norte-americanas, assim como com cubanos residentes nos Estados Unidos e seus descendentes”.

Desde 2021, os cubanos que residem na ilha têm permissão para abrir e operar empresas privadas, mas os cidadãos que vivem fora do país foram historicamente excluídos dessa possibilidade. Essa nova política pode representar uma oportunidade para os mais de 1 milhão de cubanos que deixaram a ilha desde 2021, o maior êxodo desde a Revolução Cubana de 1959.

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O governo cubano enfrenta uma crise econômica severa, exacerbada por um bloqueio de petróleo imposto pelos EUA e por sanções que resultaram em apagões prolongados e escassez de combustíveis, alimentos e medicamentos. A permissão para que emigrantes invistam em empresas na ilha é uma tentativa de atrair capital e revitalizar a economia local.

Nos últimos dias, o presidente dos EUA, Donald Trump, fez declarações indicando que Cuba está à beira do colapso e que o país estaria ansioso para negociar com os Estados Unidos. Trump também cortou as remessas de petróleo venezuelano para Cuba e ameaçou impor tarifas a qualquer país que venda petróleo para a ilha, o que tem impactado negativamente a produção e os investimentos cubanos.

O vice-primeiro-ministro enfatizou que o bloqueio dos EUA complica os esforços do país para abrir sua economia ao investimento estrangeiro. Essa nova abordagem pode ser vista como uma tentativa de Cuba de se adaptar às condições econômicas atuais e buscar novas fontes de investimento.

O governo cubano deve anunciar oficialmente as mudanças na política de investimentos em breve, o que poderá ter um impacto significativo na economia da ilha e nas relações com a diáspora cubana.

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