Moraes autoriza uso de provas contra Eduardo Bolsonaro em apuração da PF
Ministro do STF permite que Polícia Federal utilize provas de inquérito sobre ações do ex-deputado nos EUA
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o uso de provas do inquérito em que o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) é réu para subsidiar um procedimento administrativo disciplinar da Polícia Federal (PF). A decisão foi proferida em resposta ao pedido da PF, que investiga Eduardo por supostos atos de improbidade administrativa.
As provas em questão estão relacionadas a um processo em que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro é acusado de atuar em favor de sanções contra autoridades brasileiras enquanto estava nos Estados Unidos. O inquérito investiga se Eduardo Bolsonaro teria “ameaçado e exposto servidores da Polícia Federal” com o intuito de intimidá-los devido às suas atuações nas investigações supervisionadas pelo STF.
Ao analisar o pedido, Moraes considerou que o compartilhamento das provas seria “útil, razoável, adequado e pertinente”. Ele também destacou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) concordou com a solicitação da PF, ressaltando a importância do compartilhamento para a “economia da máquina pública e eficiência administrativa”.
Eduardo Bolsonaro, que é escrivão da PF desde 2010, foi afastado de suas funções no início da sindicância. A Corregedoria Regional da PF no Rio de Janeiro o acusa de ofensas e ameaças a servidores da corporação, ocorridas em julho de 2025, com o objetivo de constrangê-los.
O ex-deputado enfrenta um cenário complicado, pois, além do procedimento disciplinar, ele também está sob investigação por obstrução de justiça e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. As acusações surgiram a partir de suas articulações com autoridades americanas para tentar obter sanções contra o ministro Alexandre de Moraes e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
A apuração busca esclarecer se Eduardo Bolsonaro teria atuado de forma a obstruir as investigações que envolvem sua família e o ex-presidente Jair Bolsonaro, que foi condenado por tentativa de golpe de Estado. O desdobramento do caso levanta preocupações sobre a integridade das investigações em curso.
Eduardo, que atualmente reside nos Estados Unidos, não pretende retornar ao Brasil devido ao processo em andamento. Ele ainda enfrenta uma possível acusação de abandono de cargo, já que a PF havia determinado seu retorno ao trabalho após a perda do cargo na Câmara dos Deputados no final do ano passado.
Com a decisão de Moraes, a Polícia Federal agora tem acesso a provas que podem ser decisivas para o andamento do procedimento disciplinar contra Eduardo Bolsonaro. A investigação continua a ser acompanhada de perto, dada a relevância política e judicial do caso.
Veja também: