Polícia Federal investiga fraudes de R$ 500 milhões na Caixa; CEO e ex-sócio do Fictor são alvos
A operação da PF mira Rafael Góes e Luiz Rubini, envolvidos em esquema de fraudes bancárias que pode ultrapassar R$ 500 milhões.
A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quarta-feira (25/3) uma operação para desarticular uma organização criminosa especializada em fraudes bancárias contra a Caixa Econômica Federal, com prejuízos estimados em mais de R$ 500 milhões. Entre os alvos da ação estão o CEO e fundador do Grupo Fictor, Rafael Góes, e o ex-sócio Luiz Phillippe Gomes Rubini.
Os mandados de busca e apreensão, expedidos pela Justiça Federal de São Paulo, estão sendo cumpridos em diversas cidades dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. Além disso, foi determinado o bloqueio e sequestro de bens, incluindo imóveis, veículos e ativos financeiros, até o limite de R$ 47 milhões.
De acordo com a PF, a organização criminosa atuava por meio da cooptação de funcionários de instituições financeiras, utilizando empresas para movimentar e ocultar recursos ilícitos. A investigação também resultou na quebra de sigilo bancário e fiscal de diversas pessoas físicas e jurídicas envolvidas no esquema.
Rafael Góes é o principal nome à frente do Grupo Fictor, uma holding fundada em 2007 que reúne empresas de diversos setores, incluindo alimentos, mercado financeiro, infraestrutura, energia, agronegócio e imobiliário. Com mais de 20 anos de experiência, Góes começou sua carreira no mercado financeiro ainda na adolescência, em uma empresa familiar de crédito. Formado em Administração de Empresas pela Universidade Candido Mendes, ele liderou a expansão do Fictor, que começou como uma startup de tecnologia voltada para soluções de logística e gestão empresarial.
A partir de 2013, o grupo começou a diversificar seus investimentos, incluindo o agronegócio em 2018, e atualmente possui cerca de dez empresas com presença internacional, com escritórios em Miami e Lisboa, além da sede em São Paulo.
Luiz Phillippe Gomes Rubini, que deixou a sociedade no final de 2024, teve um papel significativo na expansão do grupo, sendo responsável pela prospecção de negócios e articulação institucional. Com uma trajetória ligada ao mercado financeiro da Faria Lima, Rubini contribuiu para o crescimento acelerado do Fictor, período em que os sócios acumularam riqueza e ampliaram sua atuação empresarial.
Entre as estratégias do grupo estava a tentativa de acesso mais rápido ao mercado de capitais por meio de um “IPO reverso”, adquirindo o controle de uma empresa já listada na Bolsa. No entanto, nos últimos meses, o Fictor enfrentou dificuldades financeiras e de reputação, especialmente após a tentativa de aquisição do Banco Master, que culminou na liquidação extrajudicial da instituição pelo Banco Central.
Em fevereiro deste ano, o grupo entrou com um pedido de recuperação judicial, alegando dívidas de cerca de R$ 4 bilhões, com o objetivo de reorganizar suas operações e preservar as demais empresas do conglomerado.
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