Déficit recorde se aproxima do total do ano passado e pressiona as contas públicas.
31 de Março de 2026 às 11h46

Estatais federais registram rombo histórico de R$ 4,2 bilhões no 1º bimestre de 2026

Déficit recorde se aproxima do total do ano passado e pressiona as contas públicas.

As empresas estatais federais enfrentaram um déficit de R$ 4,2 bilhões nos dois primeiros meses de 2026, conforme dados divulgados pelo Banco Central nesta terça-feira (31). Este resultado representa o maior rombo já registrado para o primeiro bimestre desde o início da série histórica, em 2002.

O déficit indica que os gastos das estatais superaram suas receitas, aumentando a necessidade de financiamento e, consequentemente, pressionando as contas públicas. O saldo negativo do início deste ano já se aproxima do total de R$ 5,1 bilhões registrado em todo o ano de 2025.

O Banco Central utiliza o conceito de necessidade de financiamento, que mede quanto as estatais precisam captar para cobrir suas despesas. É importante ressaltar que este cálculo exclui grandes empresas como a Petrobras e instituições financeiras, focando em estatais dependentes do Tesouro, como os Correios, Infraero, Serpro e Dataprev.

O desempenho negativo das estatais ocorre em um contexto de dificuldades financeiras, especialmente para os Correios, que têm enfrentado prejuízos significativos. No acumulado até setembro de 2025, a estatal registrou um prejuízo de R$ 6 bilhões, e as estimativas apontam que esse valor pode ter chegado a R$ 9,1 bilhões ao final do ano.

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Recentemente, os Correios contrataram um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a instituições financeiras, com garantia do Tesouro Nacional, para quitar dívidas e aliviar a pressão sobre seu caixa. O presidente da estatal, Emmanoel Rondon, afirmou que a empresa precisará de mais R$ 8 bilhões em 2026 para enfrentar a crise financeira, o que pode ocorrer por meio de novos aportes do Tesouro ou empréstimos adicionais.

Além dos Correios, outras estatais também enfrentam desafios financeiros. O resultado negativo das estatais federais é um reflexo da necessidade de reestruturação e gestão eficiente para evitar que a situação se agrave ainda mais.

O Banco Central também informou que o setor público brasileiro, que inclui União, estados, municípios e estatais, registrou um déficit primário de R$ 16,4 bilhões em fevereiro de 2026. Apesar de negativo, esse resultado foi melhor do que o registrado no mesmo mês do ano anterior, quando o rombo foi de R$ 19 bilhões.

O desempenho de fevereiro foi impactado principalmente pelo resultado negativo do Governo Central, que teve um déficit de R$ 29,5 bilhões, enquanto os governos regionais contribuíram com um superávit de R$ 13,7 bilhões. As estatais, por sua vez, apresentaram um déficit de R$ 568 milhões.

As dificuldades financeiras enfrentadas pelas estatais levantam a necessidade de uma análise mais aprofundada sobre a saúde fiscal dessas empresas e o impacto que isso pode ter nas contas públicas do país.

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