Damares Alves defende Michelle Bolsonaro após saída do PL Mulher em meio a crise familiar
Ex-primeira-dama anunciou renúncia para cuidar do ex-presidente Jair Bolsonaro e da filha, Laura, de 15 anos.
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) expressou apoio à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que decidiu deixar a presidência do PL Mulher. A saída foi anunciada na última terça-feira e tem como objetivo permitir que Michelle se dedique integralmente aos cuidados do ex-presidente Jair Bolsonaro, que se encontra em prisão domiciliar, e da filha do casal, Laura, de 15 anos.
Damares, em suas redes sociais, destacou o orgulho que sente pela amiga, afirmando: “O que você fez, Michelle, mudou para sempre a história da participação das mulheres na política. Você não apenas identificou lideranças; você despertou em mulheres comuns — mães, esposas, trabalhadoras — o desejo genuíno de participar e transformar a nossa nação. Seus eventos nunca foram meros encontros festivos, eram treinamentos reais, preparando um exército feminino alicerçado em valores”.
A senadora também enfatizou que a decisão de Michelle demonstra que ela “tem uma causa, e não um projeto de poder”. Essa declaração reflete a visão de Damares sobre o papel de Michelle na política e sua dedicação às causas femininas.
Em nota divulgada, Michelle agradeceu ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto, pela autonomia que teve durante sua gestão. Ela ressaltou que, ao lado das dirigentes estaduais e municipais, ajudou a construir “um grande exército de mulheres de bem” e acredita que o movimento continuará a crescer.
“Venho por meio desta informar que, após muito refletir com o meu marido sobre o momento em que estamos vivendo em nossa família, reuni-me com o presidente do Partido Liberal e comuniquei a minha decisão de deixar a presidência do PL Mulher para me dedicar — integralmente — aos cuidados do meu marido e da minha filha”, escreveu Michelle.
A saída de Michelle ocorre em um contexto de crise interna no PL, especialmente após embates com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Relatos indicam que a ex-primeira-dama se sentiu desvalorizada nas decisões do partido, levando-a a reconsiderar sua permanência na vida política.
Durante uma reunião com Valdemar, Michelle expressou estar “cansada” da política e mencionou que os conflitos internos a fizeram repensar sua trajetória. Ela chegou a cogitar uma candidatura ao Senado pelo Distrito Federal, mas decidiu priorizar sua família neste momento.
Valdemar tentou convencê-la a adiar sua decisão e pediu que evitasse novos pronunciamentos públicos, especialmente após um vídeo onde Michelle acusou Flávio de desrespeito e mencionou ataques coordenados de outros filhos do ex-presidente contra ela nas redes sociais.
Além disso, a conversa tinha como intuito persuadir Michelle a participar de um evento organizado por Flávio com parlamentares e lideranças femininas conservadoras, que visa elaborar um programa de governo voltado ao eleitorado feminino. No entanto, Michelle decidiu não comparecer, alegando que nunca recebeu um convite direto de Flávio.
Essa ausência pode enfraquecer os esforços de reaproximação planejados pela campanha, que busca unir as lideranças do partido em meio a um cenário de tensões crescentes.
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