Ministério Público defende oitiva do senador antes de decidir sobre denúncia em investigação de calúnia contra o presidente Lula.
06 de Julho de 2026 às 16h57

PGR solicita que PF ouça Flávio Bolsonaro em inquérito sobre calúnia contra Lula

Ministério Público defende oitiva do senador antes de decidir sobre denúncia em investigação de calúnia contra o presidente Lula.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou nesta segunda-feira (6) que a Polícia Federal (PF) ouça o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República, no inquérito que investiga uma suposta calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A medida é considerada essencial para apurar as alegações feitas por Flávio em uma postagem na rede social X, datada de 3 de janeiro de 2026.

Na referida postagem, Flávio Bolsonaro atribuiu ao presidente Lula crimes como tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, associando sua imagem à do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, que havia sido preso em uma operação dos Estados Unidos. O senador escreveu: “Lula será delatado. É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas”.

“Remanesce a necessidade de oitiva do Sr. Flávio Nantes Bolsonaro, medida de especial relevância, sobretudo em razão da possibilidade de retratação, capaz de isentar o investigado de pena”, afirmou o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

A PGR argumenta que é fundamental ouvir Flávio antes de decidir se irá apresentar uma denúncia ou se pedirá o arquivamento do inquérito. Essa diligência é considerada relevante, pois, de acordo com o Código Penal, o investigado pode ser isento de pena caso se retrate antes da sentença.

O relatório da PF, que foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), concluiu que Flávio cometeu, em tese, o crime de calúnia ao associar Lula a condutas criminosas. O documento também deixou claro que não há dúvidas sobre a autoria da postagem.

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O inquérito foi instaurado em abril de 2026 pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, após um pedido formal da PF, que considerou a postagem de Flávio como uma falsa imputação de crime ao presidente Lula. A PF destacou que a associação feita pelo senador entre Lula e Maduro, que é acusado de envolvimento com o tráfico de drogas, configura a prática de calúnia.

Após a oitiva de Flávio, a PGR deverá se manifestar novamente sobre o relatório final da investigação, que já aponta a necessidade de medidas adicionais para apurar os fatos. O inquérito teve origem em um ofício da deputada federal Dandara Tonantzin (PT-MG), que solicitou a abertura da apuração junto ao Ministério da Justiça.

Com a solicitação da PGR, a expectativa é que o caso retorne à PF para a oitiva do senador, que poderá apresentar sua versão dos fatos e, possivelmente, uma retratação, o que poderá influenciar o desfecho do inquérito.

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