Após cobranças do governo, plataforma apresenta medidas para aumentar segurança de usuários menores de idade
11 de Agosto de 2026 às 16h37

AGU analisa proposta do Discord para melhorar proteção de crianças e adolescentes

Após cobranças do governo, plataforma apresenta medidas para aumentar segurança de usuários menores de idade

A Advocacia-Geral da União (AGU) anunciou nesta terça-feira (11) que recebeu uma proposta do Discord, plataforma amplamente utilizada por jovens e gamers, com o objetivo de reforçar a proteção de crianças e adolescentes que utilizam seus serviços. O documento foi entregue na segunda-feira (10), após uma série de reuniões entre representantes da empresa, do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD).

As negociações surgiram após um relatório da Secretaria Nacional de Direitos Digitais do MJSP, que apontou falhas nos mecanismos de verificação de idade e na proteção de usuários menores de idade na plataforma. A AGU destacou a necessidade de medidas efetivas que garantam o cumprimento da legislação brasileira, incluindo a implementação de mecanismos de verificação etária e a prevenção de riscos para os jovens usuários.

O Discord, que enfrenta críticas e investigações devido a falhas em sua moderação e controle de idade, é frequentemente associado a casos de crimes graves envolvendo crianças e adolescentes, como extorsão e indução à automutilação. A AGU enfatizou que a proposta apresentada pelo Discord será analisada em conjunto com outros órgãos federais, como a Polícia Federal e a ANPD, para avaliar sua viabilidade.

Após essa avaliação, o governo poderá considerar a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a empresa, que estabeleceria obrigações para a plataforma em relação à proteção dos usuários menores de idade. A busca por uma solução negociada, no entanto, não exclui a possibilidade de ações administrativas ou judiciais, caso as medidas apresentadas não sejam consideradas suficientes para garantir a segurança das crianças e adolescentes.

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A pressão sobre o Discord aumentou após a morte de uma adolescente de 13 anos em Mato Grosso do Sul, que teria sido induzida a atos de automutilação durante transmissões na plataforma. O caso gerou repercussão e levou a primeira-dama, Rosângela da Silva, conhecida como Janja, a defender o bloqueio imediato do Discord no Brasil, classificando a plataforma como uma “rede horrorosa”.

Na mesma linha, o ministro Jorge Messias anunciou que a AGU poderia entrar com uma ação civil pública para responsabilizar a plataforma. No entanto, com a abertura das negociações, o governo começou a considerar a possibilidade de um TAC como alternativa à judicialização.

O Discord, por sua vez, afirmou que não tolera grupos ou indivíduos que promovam ou incentivem a violência e que colabora com as autoridades brasileiras. A empresa também informou que havia investigado e desativado um servidor privado antes da morte da adolescente, onde acredita que atividades criminosas estavam sendo incentivadas.

Paralelamente, a ANPD abriu um processo de fiscalização para investigar possíveis falhas do Discord na verificação de idade dos usuários e na remoção de conteúdos ilegais. A plataforma tem até o final desta semana para prestar esclarecimentos, e caso irregularidades sejam constatadas, poderá enfrentar medidas corretivas e multas que podem chegar a R$ 50 milhões, conforme as regras do Estatuto da Criança e do Adolescente Digital.

A ANPD também analisará os mecanismos utilizados pela plataforma para prevenir e interromper conteúdos que incentivem automutilação e suicídio, além das ferramentas para aferir a idade dos usuários. A abertura do processo não implica que a ANPD já tenha concluído que houve irregularidade por parte do Discord.

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