Ministro Kassio Nunes Marques ordena retirada de postagens que questionam a segurança das urnas no Brasil, atendendo a pedido de federação partidária.
03 de Setembro de 2026 às 10h23

TSE determina remoção de publicações de Eduardo Bolsonaro sobre urnas eletrônicas

Ministro Kassio Nunes Marques ordena retirada de postagens que questionam a segurança das urnas no Brasil, atendendo a pedido de federação partidária.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, decidiu pela remoção de publicações do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nas redes sociais, nas quais ele coloca em dúvida a segurança das urnas eletrônicas brasileiras. A determinação, proferida na última segunda-feira (31), atende a um pedido da Federação Brasil da Esperança, que reúne partidos como PT, PCdoB e PV, e ainda precisa ser confirmada pelo plenário do TSE.

A medida ocorre após Eduardo Bolsonaro ter publicado mensagens que associavam as urnas brasileiras a um relatório da CIA, que supostamente indicava capacidades de manipulação do sistema eleitoral da Venezuela. Em suas postagens, o ex-deputado questionou: “Só numa ditadura há assuntos proibidos. Assim, pergunto: será que no Brasil as urnas eletrônicas são realmente invioláveis?”.

O ministro Nunes Marques considerou que as publicações de Eduardo “revestem-se de caráter enganoso”, afirmando que elas promovem uma “grave descontextualização” que pode gerar desconfiança no eleitorado em relação à integridade do processo eleitoral. Em sua decisão, o ministro destacou que a pergunta retórica feita por Eduardo não busca uma resposta, mas sugere irregularidades.

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“A permanência do conteúdo impugnado, às vésperas do início da propaganda eleitoral, é apta a consolidar no eleitorado a percepção de insegurança quanto ao sistema eletrônico de votação, fundamentada em alegações já conclusivamente afastadas por esta Justiça Especializada”, afirmou Nunes Marques.

O prazo para a remoção das postagens foi estabelecido em 24 horas. Além disso, o ministro proibiu Eduardo Bolsonaro de reiterar ou republicar qualquer conteúdo que associe a empresa Smartmatic às urnas eletrônicas brasileiras, bem como qualquer outro fato que ponha em dúvida a segurança e a integridade do sistema eleitoral.

O TSE já havia desmentido anteriormente a associação entre o sistema de votação venezuelano e as urnas eletrônicas brasileiras em diversas ocasiões, incluindo os anos de 2017, 2020, 2022 e 2026. A corte reafirma que a Smartmatic não fornece urnas nem softwares utilizados nas eleições brasileiras, sendo todo o sistema eletrônico de votação desenvolvido e administrado pela própria Justiça Eleitoral.

A decisão de Nunes Marques também se dá em um contexto de episódios semelhantes envolvendo outros membros da família Bolsonaro. O senador Flávio Bolsonaro, irmão de Eduardo e candidato à presidência, já havia feito declarações questionando a segurança das urnas, mas posteriormente admitiu ter cometido um erro ao tratar do assunto, afirmando: “Falei errado, ela não fabricou as urnas. Falei equivocadamente”.

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