
STF rejeita pedidos de impedimento de ministros em julgamento contra Bolsonaro
Ministros do STF decidiram prosseguir com a análise da denúncia contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, em sessão realizada recentemente, não acatar os pedidos de impedimento contra os ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Cristiano Zanin. A decisão ocorre em meio ao julgamento de uma denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros 34 indivíduos, incluindo ex-ministros do governo.
As defesas dos acusados levantaram alegações de suspeição, argumentando que os ministros não teriam imparcialidade para julgar o caso. Contudo, o STF considerou que tais alegações eram improcedentes e que é comum que advogados apresentem questões de suspeição durante os processos judiciais. Os magistrados afirmaram que a gravidade das acusações, que envolvem uma suposta tentativa de golpe de Estado, justifica a continuidade da análise sem a necessidade de afastar os ministros.
A denúncia da PGR inclui acusações de organização criminosa armada e tentativa de abolição do estado democrático de direito, todas relacionadas a uma alegada trama golpista que teria surgido após a derrota de Bolsonaro nas eleições de 2022. A defesa do ex-presidente argumentou que os ministros, indicados pelo atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, deveriam se declarar impedidos de julgar o caso.
O julgamento da denúncia, que envolve acusações sérias, será conduzido pela Primeira Turma do STF, que agora tem a responsabilidade de decidir sobre os próximos passos do processo. A defesa de Bolsonaro, que já havia tentado afastar outros ministros do STF, agora se concentra em Zanin e Dino, buscando garantir que o julgamento seja o mais favorável possível ao ex-presidente.
Recentemente, a defesa de Bolsonaro protocolou um pedido formal para que Zanin e Dino fossem impedidos de participar do julgamento da denúncia. O presidente do STF, Luís Roberto Barroso, foi informado previamente sobre os pedidos e deverá decidir sobre a questão.


Em um contexto mais amplo, a situação envolvendo Bolsonaro e os ministros do STF reflete um clima de tensão política e jurídica no Brasil, onde as disputas judiciais têm se intensificado desde as eleições de 2022. A defesa do ex-presidente alega que as ações dos ministros são influenciadas por suas ligações políticas e que isso compromete a imparcialidade do julgamento.
Na última semana, a defesa de Bolsonaro também mencionou que o ministro Cristiano Zanin já havia se declarado impedido em um caso anterior envolvendo o ex-presidente, mas ressaltou que a situação atual é diferente, uma vez que se trata de uma denúncia criminal. A alegação é que Zanin, ao ter atuado como advogado de Bolsonaro em processos eleitorais, não poderia julgar o caso atual sem comprometer sua imparcialidade.
Enquanto isso, Flávio Dino, que atualmente ocupa o cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública, também foi alvo de pedidos de impedimento. Os advogados de Bolsonaro argumentam que Dino teria motivos para não participar do julgamento devido a uma queixa-crime que ele moveu contra o ex-presidente quando era governador do Maranhão.
Apesar das tentativas de afastamento, tanto Zanin quanto Dino afirmaram que não veem motivos para se declararem impedidos e que o julgamento será conduzido de acordo com as normas legais e com respeito à ampla defesa. Dino, em declarações recentes, enfatizou que sua atuação no caso será pautada pela isenção e pela legalidade.
O cenário atual indica que a defesa de Bolsonaro continuará a buscar estratégias para contestar a imparcialidade dos ministros do STF, enquanto a corte se prepara para analisar as graves acusações que envolvem o ex-presidente e seus aliados.
Veja também: