O déficit comercial total dos Estados Unidos caiu levemente, mas o rombo na troca de bens se manteve elevado, evidenciando os desafios da política tarifária.
19 de Fevereiro de 2026 às 16h02

Dívida comercial dos EUA atinge novo recorde em 2025, apesar das tarifas de Trump

O déficit comercial total dos Estados Unidos caiu levemente, mas o rombo na troca de bens se manteve elevado, evidenciando os desafios da política tarifária.

O déficit comercial dos Estados Unidos atingiu um novo recorde em 2025, conforme dados divulgados pelo Departamento de Comércio nesta quinta-feira, 19. Apesar das tarifas elevadas impostas pelo presidente Donald Trump, que buscavam reduzir a disparidade entre importações e exportações, o rombo na troca de bens permaneceu alarmantemente alto.

Os números mostram que o déficit comercial total, que inclui tanto bens quanto serviços, caiu levemente para US$ 901,5 bilhões, em comparação aos US$ 903,5 bilhões registrados em 2024. No entanto, o déficit específico de bens alcançou a marca de US$ 1,24 trilhão, um aumento em relação ao ano anterior, o que demonstra a ineficácia das tarifas na redução das importações.

As tarifas, que foram elevadas ao maior nível desde a década de 1930, foram implementadas como parte da estratégia de Trump para revitalizar a indústria americana e diminuir a dependência de produtos estrangeiros. Entretanto, os dados revelam que as importações cresceram 4,7%, enquanto as exportações aumentaram apenas 6,2%, indicando que as políticas tarifárias não surtiram o efeito desejado.

Embora o déficit comercial total tenha diminuído, isso se deve principalmente ao aumento do superávit no setor de serviços, que compensou a deterioração nas trocas de bens. O comércio de serviços, que inclui áreas como turismo e transporte, mostrou um desempenho robusto, mas não foi suficiente para mitigar o impacto negativo nas importações de produtos físicos.

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Em dezembro, o déficit total aumentou em 32,6%, alcançando US$ 70,3 bilhões, devido à queda das exportações e ao aumento das importações. O aumento das tarifas levou a uma volatilidade significativa no comércio, com empresas americanas ajustando suas cadeias de suprimentos para contornar os custos adicionais.

O impacto das tarifas foi sentido em vários setores, especialmente entre os agricultores, que enfrentaram dificuldades devido à guerra comercial com a China. As exportações de soja, por exemplo, caíram drasticamente, uma vez que a China boicotou produtos agrícolas americanos em favor de fornecedores de outros países, como o Brasil.

Além disso, a imposição de tarifas afetou o comércio com outros países asiáticos, como Vietnã e Índia, onde os déficits comerciais também atingiram níveis recordes. Isso levanta dúvidas sobre a eficácia das políticas tarifárias de Trump e se elas realmente estão reestruturando a economia americana ou apenas redistribuindo o comércio.

As tarifas também resultaram em um aumento nos preços para os consumidores americanos, embora em menor grau do que o inicialmente temido. Um estudo recente do Federal Reserve de Nova York indicou que a maior parte dos custos das tarifas recaiu sobre os importadores e consumidores dos EUA.

Com a expectativa de que a Suprema Corte se pronuncie sobre a legalidade das tarifas impostas, o futuro das políticas comerciais de Trump permanece incerto. A administração atual já sinalizou que, caso as tarifas sejam anuladas, outras medidas poderão ser adotadas para manter a pressão sobre os parceiros comerciais.

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