Dívida comercial dos EUA atinge novo recorde em 2025, apesar das tarifas de Trump
O déficit comercial total dos Estados Unidos caiu levemente, mas o rombo na troca de bens se manteve elevado, evidenciando os desafios da política tarifária.
O déficit comercial dos Estados Unidos atingiu um novo recorde em 2025, conforme dados divulgados pelo Departamento de Comércio nesta quinta-feira, 19. Apesar das tarifas elevadas impostas pelo presidente Donald Trump, que buscavam reduzir a disparidade entre importações e exportações, o rombo na troca de bens permaneceu alarmantemente alto.
Os números mostram que o déficit comercial total, que inclui tanto bens quanto serviços, caiu levemente para US$ 901,5 bilhões, em comparação aos US$ 903,5 bilhões registrados em 2024. No entanto, o déficit específico de bens alcançou a marca de US$ 1,24 trilhão, um aumento em relação ao ano anterior, o que demonstra a ineficácia das tarifas na redução das importações.
As tarifas, que foram elevadas ao maior nível desde a década de 1930, foram implementadas como parte da estratégia de Trump para revitalizar a indústria americana e diminuir a dependência de produtos estrangeiros. Entretanto, os dados revelam que as importações cresceram 4,7%, enquanto as exportações aumentaram apenas 6,2%, indicando que as políticas tarifárias não surtiram o efeito desejado.
Embora o déficit comercial total tenha diminuído, isso se deve principalmente ao aumento do superávit no setor de serviços, que compensou a deterioração nas trocas de bens. O comércio de serviços, que inclui áreas como turismo e transporte, mostrou um desempenho robusto, mas não foi suficiente para mitigar o impacto negativo nas importações de produtos físicos.
Em dezembro, o déficit total aumentou em 32,6%, alcançando US$ 70,3 bilhões, devido à queda das exportações e ao aumento das importações. O aumento das tarifas levou a uma volatilidade significativa no comércio, com empresas americanas ajustando suas cadeias de suprimentos para contornar os custos adicionais.
O impacto das tarifas foi sentido em vários setores, especialmente entre os agricultores, que enfrentaram dificuldades devido à guerra comercial com a China. As exportações de soja, por exemplo, caíram drasticamente, uma vez que a China boicotou produtos agrícolas americanos em favor de fornecedores de outros países, como o Brasil.
Além disso, a imposição de tarifas afetou o comércio com outros países asiáticos, como Vietnã e Índia, onde os déficits comerciais também atingiram níveis recordes. Isso levanta dúvidas sobre a eficácia das políticas tarifárias de Trump e se elas realmente estão reestruturando a economia americana ou apenas redistribuindo o comércio.
As tarifas também resultaram em um aumento nos preços para os consumidores americanos, embora em menor grau do que o inicialmente temido. Um estudo recente do Federal Reserve de Nova York indicou que a maior parte dos custos das tarifas recaiu sobre os importadores e consumidores dos EUA.
Com a expectativa de que a Suprema Corte se pronuncie sobre a legalidade das tarifas impostas, o futuro das políticas comerciais de Trump permanece incerto. A administração atual já sinalizou que, caso as tarifas sejam anuladas, outras medidas poderão ser adotadas para manter a pressão sobre os parceiros comerciais.
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