Ricardo Mansano foi afastado após operação da PF investigar vazamento de dados de ministros do STF e familiares
19 de Fevereiro de 2026 às 18h40

Receita Federal exonera auditor suspeito de acessar dados de parente de Gilmar Mendes

Ricardo Mansano foi afastado após operação da PF investigar vazamento de dados de ministros do STF e familiares

O auditor fiscal da Receita Federal, Ricardo Mansano de Moraes, foi dispensado de um cargo de chefia na Delegacia da Receita em Presidente Prudente, São Paulo, após se tornar alvo de uma investigação da Polícia Federal (PF) sobre o vazamento de dados de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e seus familiares. A exoneração foi publicada no Diário Oficial da União nesta quinta-feira, 19.

Mansano ocupava a posição de chefe da Equipe de Gestão do Crédito Tributário e do Direito Creditório, com um salário que chegava a R$ 51 mil em dezembro de 2025. Ele é suspeito de ter acessado indevidamente informações fiscais relacionadas a uma enteada do ministro Gilmar Mendes, do STF.

Na última terça-feira, 17, o auditor foi alvo de um mandado de busca e apreensão autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso. Durante o depoimento à PF, Mansano alegou que o acesso aos dados foi acidental, afirmando que pensou se tratar de uma ex-mulher de um amigo de longa data.

A defesa de Ricardo Mansano divulgou uma nota em que reafirma a idoneidade do servidor, que, segundo eles, nunca enfrentou problemas funcionais ao longo de sua carreira na Receita Federal. “No momento oportuno, com acesso aos elementos formais, os fatos serão devidamente esclarecidos e a verdade prevalecerá”, afirmaram os advogados.

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Além da exoneração, Mansano está sob medidas cautelares que incluem o uso de tornozeleira eletrônica, afastamento de suas funções públicas e proibição de deixar a cidade onde reside. O passaporte do auditor também foi apreendido.

A operação da PF, que resultou no afastamento de Mansano, teve como objetivo investigar possíveis acessos ilegais a dados fiscais de ministros do STF e de seus familiares. Os mandados de busca foram cumpridos em três estados: São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, abrangendo cidades como São José do Rio Preto, Guarujá e Salvador.

Os investigadores buscam determinar se houve quebra de sigilo por parte de funcionários da Receita Federal, sem a devida autorização e justificativa. O inquérito segue em andamento, com a expectativa de que novas informações sejam reveladas nos próximos dias.

Ricardo Mansano é um dos quatro servidores públicos investigados no caso. Os outros três, identificados como Luiz Antônio Martins Nunes, Luciano Pery Santos Nascimento e Ruth Machado dos Santos, possuem salários que variam entre R$ 11 mil e R$ 12 mil.

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