Estimativas para o PIB e a taxa Selic também são atualizadas no Boletim Focus do Banco Central
23 de Fevereiro de 2026 às 11h35

Mercado financeiro revisa previsão da inflação para 3,91% em 2026

Estimativas para o PIB e a taxa Selic também são atualizadas no Boletim Focus do Banco Central

A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é a referência oficial da inflação no Brasil, foi revisada de 3,95% para 3,91% para o ano de 2026. Essa atualização foi divulgada no Boletim Focus, uma pesquisa semanal realizada pelo Banco Central (BC), que reúne as expectativas de instituições financeiras sobre os principais indicadores econômicos.

Para o ano de 2027, a projeção da inflação permanece em 3,8%. Já para 2028 e 2029, as estimativas são de 3,5% para ambos os anos. Essa redução na previsão da inflação para 2026 ocorre pela sétima semana consecutiva, mantendo-se dentro do intervalo da meta estabelecida pelo BC.

A meta de inflação, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é de 3%, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior, 4,5%.

Em janeiro deste ano, a alta nos preços da conta de luz e da gasolina fez com que a inflação oficial fechasse em 0,33%, o mesmo patamar registrado em dezembro. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), esse resultado levou o IPCA a acumular uma alta de 4,44% em 2025.

Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central utiliza a taxa básica de juros, conhecida como Taxa Selic, que atualmente está fixada em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. Apesar da queda nas projeções de inflação e do dólar, o Copom decidiu manter a taxa inalterada pela quinta vez consecutiva em sua última reunião, realizada no final de janeiro.

A Taxa Selic está no maior nível desde julho de 2006, quando alcançou 15,25% ao ano. Em ata, o Copom confirmou que iniciará a redução dos juros na reunião de março, caso a inflação continue sob controle e não ocorram surpresas no cenário econômico. Contudo, a taxa será mantida em níveis restritivos.

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A estimativa dos analistas de mercado para a taxa Selic foi reduzida nesta edição do Boletim Focus, passando de 12,25% ao ano para 12,13% ao ano até o final de 2026. Para os anos de 2027 e 2028, a expectativa é que a Selic seja reduzida para 10,5% ao ano e 10% ao ano, respectivamente. Em 2029, a taxa deve chegar a 9,5% ao ano.

Quando o Copom eleva a Selic, o objetivo é conter a demanda aquecida, o que impacta os preços, uma vez que juros mais altos encarecem o crédito e incentivam a poupança. Por outro lado, taxas elevadas podem dificultar a expansão da economia.

Os bancos também levam em consideração outros fatores ao definir os juros cobrados dos consumidores, como o risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas. Quando a Taxa Selic é reduzida, a tendência é que o crédito se torne mais acessível, incentivando a produção e o consumo, o que pode impactar o controle da inflação e estimular a atividade econômica.

Nesta edição do boletim do Banco Central, a estimativa para o crescimento da economia brasileira em 2026 foi ajustada de 1,8% para 1,82%. Para 2027, a projeção do Produto Interno Bruto (PIB) permanece em 1,8%. Para 2028 e 2029, o mercado financeiro prevê uma expansão do PIB de 2% em ambos os anos.

Impulsionada pelos setores industrial e agropecuário, a economia brasileira registrou um crescimento de 0,1% no terceiro trimestre de 2025, considerado pelo IBGE como um sinal de estabilidade. A divulgação do PIB consolidado de 2025 está agendada para o dia 3 de março. Em 2024, o PIB apresentou uma alta de 3,4%, representando o quarto ano consecutivo de crescimento, a maior expansão desde 2021, quando atingiu 4,8%.

A previsão para a cotação do dólar é de R$ 5,45 para o final deste ano, e para o final de 2027, estima-se que a moeda norte-americana atinja R$ 5,50.

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