Mendonça autoriza transferência de Daniel Vorcaro para penitenciária estadual
Ministro do STF atende pedido da Polícia Federal por falta de estrutura em suas unidades.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a transferência do banqueiro Daniel Vorcaro e de outros três investigados da Operação Compliance Zero para o sistema penitenciário estadual. A decisão foi tomada nesta quarta-feira, 4, em resposta a um pedido da Polícia Federal (PF), que alegou que suas instalações não possuem a infraestrutura necessária para a manutenção prolongada de presos.
A PF argumentou que suas Unidades de Trânsito de Presos (UTP) são destinadas apenas à custódia temporária, inadequadas para detenção por períodos prolongados, o que poderia comprometer a segurança institucional e as atividades de investigação. O ministro concordou que a permanência dos detidos nas instalações da PF desvia efetivo policial de suas funções principais, que são a investigação e a repressão ao crime.
Com a decisão, os investigados, incluindo Vorcaro, que é dono do Banco Master, serão encaminhados ao sistema penitenciário estadual após a conclusão dos atos cartorários relacionados às prisões. Caberá às autoridades do sistema prisional garantir a custódia e a segurança dos presos, além de providenciar escoltas para audiências e atendimentos médicos.
Esta é a terceira fase da Operação Compliance Zero, que apura um suposto esquema de fraudes no sistema financeiro, envolvendo crimes como gestão fraudulenta de instituição financeira, corrupção e lavagem de dinheiro. Vorcaro já havia sido preso em novembro de 2025, mas foi liberado sob monitoramento eletrônico.
As investigações revelaram que o grupo liderado por Vorcaro utilizava um aplicativo de mensagens para coordenar ações de intimidação e ameaça, incluindo ataques a jornalistas. A PF identificou mensagens em que Vorcaro sugere ações violentas contra críticos e adversários, o que levou à nova prisão.
Além de Vorcaro, foram detidos seu cunhado, Fabiano Zettel, pastor da Igreja Lagoinha e doador da campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2022; o agente da PF aposentado Marilson Roseno; e Luiz Philipi Mourão, acusado de coordenar ações de vigilância e ameaça.
A PF informou que a investigação continua e que novas prisões e medidas cautelares podem ser tomadas à medida que mais evidências forem coletadas. O esquema criminoso é considerado um dos mais complexos já investigados pela PF, envolvendo a captação de recursos e movimentação de ativos de alto risco através de operações financeiras fraudulentas.
O ministro Mendonça, ao autorizar a transferência, destacou a importância de garantir a segurança e a integridade do processo judicial, assegurando que os direitos dos detidos sejam respeitados enquanto as investigações prosseguem.
A defesa de Vorcaro, por sua vez, nega qualquer envolvimento em práticas criminosas e afirma que o empresário sempre colaborou com as autoridades. Segundo a defesa, ele nunca tentou obstruir as investigações e está à disposição para esclarecer os fatos.
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