Operação do MP e PF mira corrupção na Polícia Civil de SP e já resulta em prisões
Ação conjunta investiga esquema de corrupção e lavagem de dinheiro na corporação paulista
Uma operação coordenada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e pela Polícia Federal (PF) foi deflagrada nesta quinta-feira (5) com o objetivo de desmantelar um esquema de corrupção sistêmica e lavagem de dinheiro que se instalou em setores estratégicos da Polícia Civil paulista. A ação, batizada de Operação Bazaar, já resultou na prisão de nove pessoas, incluindo policiais civis e doleiros.
Entre os alvos da operação estão o delegado João Eduardo da Silva, que atua no 35º Distrito Policial (DP) no Jabaquara, e os investigadores Roldinei Eduardo dos Reis Baptista e Rogério Cichev Teixeira, além do escrivão Ciro Borges Magalhães Ferraz. A Justiça autorizou o cumprimento de 11 mandados de prisão preventiva e 25 de busca e apreensão, além do bloqueio de bens dos investigados.
A investigação, que conta com o apoio da Corregedoria da Polícia Civil, revelou que o grupo criminoso operava com a participação de doleiros e advogados, realizando pagamentos de propina a agentes públicos e manipulando investigações para garantir a impunidade. O esquema também envolvia a destruição de provas e a utilização de empresas de fachada para ocultar recursos ilícitos.
Entre os presos estão os doleiros Leonardo Meirelles e Meire Poza, ambos já investigados em operações anteriores, como a Lava Jato. A operação ainda está em andamento e até o momento, seis pessoas foram detidas, incluindo três policiais civis e a doleira Meire.
Além das prisões, a Justiça determinou medidas cautelares para seis investigados, que incluem a proibição de acesso a unidades policiais e a obrigatoriedade de apresentação bimestral. Os policiais civis envolvidos foram suspensos de suas funções.
O juiz Paulo Fernando Deroma De Mello, responsável pela decisão, destacou a necessidade de intervenções para interromper as atividades da organização criminosa, que manipulava investigações e realizava fraudes processuais. A operação é um desdobramento da Operação Recidere, que investigou a movimentação de R$ 4 bilhões em dinheiro ilícito para o exterior nos últimos dois anos.
A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo afirmou que a Corregedoria da Polícia Civil está colaborando com a operação e que a corporação não tolera desvios de conduta, adotando as medidas legais e disciplinares necessárias.
A Operação Bazaar evidencia a gravidade da corrupção dentro das instituições de segurança pública e a importância de ações rigorosas para restaurar a confiança da população nas forças policiais.
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