TSE adia julgamento de Cláudio Castro após pedido de vista de Nunes Marques
Ministro Nunes Marques solicita mais tempo para análise do caso que pode cassar mandato do governador do Rio de Janeiro.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu adiar, pela segunda vez, o julgamento que pode resultar na cassação do mandato do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL). O pedido de vista foi feito pelo ministro Kassio Nunes Marques, interrompendo a análise do caso, que será retomada no próximo dia 24 de março.
O julgamento teve início em novembro de 2025 e, até o momento, o placar está em 2 a 0 a favor da cassação. A ministra Cármen Lúcia, relatora do processo, e o ministro Antonio Carlos Ferreira já votaram pela perda do mandato de Castro, além de sua inelegibilidade por oito anos.
As acusações contra o governador envolvem suposto abuso de poder político e econômico durante as eleições de 2022, com foco em irregularidades nas contratações de servidores temporários pela Fundação Ceperj (Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro). As investigações apontam que cerca de 27 mil servidores foram contratados de forma irregular e utilizados como cabos eleitorais durante a campanha de reeleição de Castro.
A relatora do caso, ministra Isabel Gallotti, que deixou o TSE em novembro de 2025, foi a primeira a se manifestar, defendendo a cassação do governador e do presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil). Em seu voto, ela também sugeriu a realização de novas eleições para os cargos majoritários no estado.
O pedido de vista de Nunes Marques foi feito após o plenário do TSE ter alcançado dois votos a favor da cassação. O ministro argumentou que precisava de mais tempo para analisar as complexidades do caso, que envolvem questões legais e políticas delicadas.
O Ministério Público Eleitoral, responsável por apresentar as ações que questionam a legitimidade do mandato de Castro, alega que houve desvio de finalidade nas contratações realizadas pela Ceperj, que, segundo as investigações, foram utilizadas para beneficiar a campanha do governador.
Além de Castro, o processo também envolve o ex-vice-governador Thiago Pampolha (MDB) e o deputado Rodrigo Bacellar, que enfrentam acusações semelhantes. A situação se complica ainda mais para Castro, que já manifestou interesse em concorrer a uma vaga no Senado, o que exigiria sua desincompatibilização do cargo de governador até 4 de abril.
O TSE, que é composto por sete ministros, agora se prepara para ouvir os votos dos demais magistrados na próxima sessão, onde será decidido se o pedido de cassação será aceito ou rejeitado.
O caso é emblemático e pode ter repercussões significativas na política do Rio de Janeiro, especialmente em um ano eleitoral, onde a legitimidade do processo eleitoral e a conduta dos agentes públicos estarão sob intensa observação.
Com a decisão de hoje, o governador Cláudio Castro continua no cargo, mas a incerteza sobre seu futuro político persiste, à medida que o TSE se prepara para retomar o julgamento em março.
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