Câmara decidirá sobre mandatos de deputados do PL condenados pelo STF, afirma Motta
Presidente da Câmara, Hugo Motta, garante que decisão será tomada após trânsito em julgado do processo contra parlamentares.
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, do partido Republicanos da Paraíba, declarou nesta quarta-feira (18) que a Casa legislativa terá a palavra final sobre a possível perda de mandato dos deputados Josimar Maranhãozinho, Pastor Gil e Bosco Costa, todos do PL, que foram condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por desvio de emendas parlamentares.
Durante uma coletiva de imprensa, Motta enfatizou que a Câmara atuará de “maneira regimental” e que a decisão sobre a cassação dos mandatos só será tomada após o trânsito em julgado do processo na Corte, ou seja, quando não houver mais possibilidade de recursos. “Nós estamos acompanhando o caso. É importante dizer que o julgamento não foi concluído 100% ontem. Ainda temos os embargos que poderão e deverão ser apresentados pelos réus que estão sendo julgados pelo STF”, afirmou.
O presidente da Câmara explicou que, após a conclusão do julgamento no STF, o processo seguirá para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) antes de ser submetido à votação no plenário. “Depois de exaurido todo o processo lá no Supremo, é que a Mesa Diretora fará o encaminhamento que tem que ser dado nesses casos, que é o plenário da palavra final acerca da perda do mandato”, acrescentou Motta.
A 1ª Turma do STF condenou, por unanimidade, os três deputados na terça-feira (17). As penas variam entre 5 anos e 6 meses e 6 anos e 5 meses de reclusão, em regime semiaberto, além de multas. Josimar Maranhãozinho recebeu uma pena de 6 anos e 5 meses, enquanto Pastor Gil e Bosco Costa foram condenados a 5 anos e 6 meses de reclusão cada um.
De acordo com a Procuradoria Geral da República (PGR), os congressistas teriam direcionado recursos de emendas parlamentares para a prefeitura de São José de Ribamar, mediante pagamento de propina equivalente a 25% do valor das emendas. Parte dos recursos teria sido repassada a organizações sem a devida execução dos serviços contratados.
O presidente da Turma do STF, ministro Cristiano Zanin, já havia determinado que a eventual perda de mandato dos congressistas caberia à Câmara dos Deputados, reafirmando a prerrogativa do Legislativo em casos dessa natureza.
A posição do STF preserva a autonomia da Câmara em situações que envolvem parlamentares em exercício, mesmo após condenações judiciais. A decisão da Câmara poderá não apenas definir o futuro dos deputados condenados, mas também impactar o equilíbrio entre os poderes em casos que envolvem sanções a parlamentares.
Com a gravidade das acusações e a repercussão do caso, a eventual votação no plenário deve mobilizar as bancadas e intensificar a pressão política sobre a questão.
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