Decisão do Supremo pode impactar continuidade dos trabalhos da comissão parlamentar
26 de Março de 2026 às 11h01

STF decide hoje sobre prorrogação da CPMI do INSS em sessão crucial

Decisão do Supremo pode impactar continuidade dos trabalhos da comissão parlamentar

O Supremo Tribunal Federal (STF) irá decidir nesta quinta-feira, 26, se mantém a decisão do ministro André Mendonça que prorrogou os trabalhos da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A sessão está marcada para começar às 14h e promete ser um marco na investigação de fraudes contra aposentados e pensionistas.

A CPMI, que iniciou suas atividades em agosto do ano passado, tem como foco investigar os descontos indevidos nos benefícios do INSS, além de apurar supostas ligações do Banco Master com a concessão irregular de empréstimos consignados a aposentados. O caso ganhou notoriedade após a prisão de Daniel Vorcaro, dono do banco, que foi convocado a depor, mas não compareceu devido a questões legais.

Na última segunda-feira, Mendonça determinou que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, realizasse a leitura do requerimento de prorrogação da CPMI em um prazo de 48 horas. Se a decisão do STF for favorável, os trabalhos da comissão poderão ser estendidos por mais 30 dias. Contudo, há uma pressão interna para que esse prazo seja reduzido para 15 dias, especialmente por parte de parlamentares da base governista.

O julgamento no plenário do STF é visto como uma oportunidade para os ministros se posicionarem sobre a atuação do Judiciário em relação ao Legislativo. A decisão de levar o caso ao plenário físico, onde os votos são públicos, aumenta a pressão sobre os ministros, que terão que lidar com a repercussão de suas decisões.

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Os parlamentares da oposição, liderados pelo presidente da CPMI, Carlos Viana (Podemos-MG), expressaram preocupação com a possibilidade de interferência do STF nos trabalhos da comissão. Viana afirmou que o julgamento será decisivo para entender se o Supremo está disposto a apoiar a investigação ou se haverá uma nova interferência nas atividades parlamentares.

Durante as investigações, a CPMI enfrentou críticas por supostos vazamentos de informações pessoais de Vorcaro, que foram obtidas através de celulares apreendidos pela Polícia Federal. Esses vazamentos levantaram questões sobre a ética e a legalidade dos procedimentos adotados pela comissão.

Além disso, a CPMI tem enfrentado dificuldades para convocar depoentes, com pelo menos dez pessoas que não compareceram por decisões do STF que dispensaram sua presença. Isso tem gerado frustração entre os membros da comissão, que consideram esses depoentes essenciais para o avanço das investigações.

O clima entre os parlamentares e o STF é tenso, especialmente após a anulação de decisões que permitiram a quebra de sigilos bancários e fiscais de figuras ligadas ao caso. A expectativa é que a decisão do STF nesta quinta-feira possa não apenas definir o futuro da CPMI, mas também estabelecer limites claros para a atuação do Judiciário em investigações conduzidas pelo Congresso.

A CPMI do INSS, portanto, se encontra em um momento crítico, onde a continuidade de seus trabalhos e a possibilidade de novas investigações dependem da decisão que será tomada pelo Supremo Tribunal Federal.

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