Uefa, Concacaf e AFC criticam Infantino por quebra de confiança na Fifa
Três confederações de futebol pedem investigação independente sobre planos de venda de participação na Copa do Mundo
A crise política envolvendo o presidente da Fifa, Gianni Infantino, ganhou novos contornos nesta segunda-feira, com a divulgação de um comunicado conjunto pela Uefa, Concacaf e Confederação Asiática de Futebol (AFC). As três confederações expressaram duras críticas ao dirigente, afirmando que a tentativa de vender uma participação comercial na Copa do Mundo a investidores privados representa uma “profunda falha de julgamento” e uma quebra de confiança com as instituições do futebol mundial.
O documento é assinado pelos presidentes Aleksander Ceferin, da Uefa, Vítor Montagliani, da Concacaf, e Salman bin Ibrahim Al Khalifa, da AFC, além dos secretários-gerais das três entidades. A manifestação marca um aumento significativo na disputa pelo controle do futebol global, considerando que juntas, as confederações representam 103 das 211 associações nacionais filiadas à Fifa: 55 da Uefa, 41 da AFC e sete da Concacaf.
A declaração surge apenas dois dias após a Fifa ter emitido uma advertência aos críticos de Infantino, em meio a um crescente movimento político que antecede a eleição presidencial de 2027. A entidade afirmou que “não apoiará, facilitará nem tolerará qualquer processo relacionado à eleição do presidente da Fifa que seja inconsistente com os Estatutos da Fifa”.
As três confederações, no entanto, respondem diretamente a essa advertência. Em sua carta, elas rejeitam a interpretação de que a disputa esteja relacionada ao controle dos recursos da Fifa ou a uma tentativa de reverter decisões tomadas nos últimos anos. “Isso não é sobre dinheiro”, afirmam, enfatizando que o foco central é a governança da Fifa e a forma como Infantino conduziu o projeto que previa a entrada de investidores privados na estrutura comercial da entidade.
O comunicado também contesta a explicação da Fifa sobre o fracasso do chamado FIFA Forward Enterprise, que visava a venda de participação na Copa do Mundo. Infantino retirou a proposta após a reação de dirigentes e federações, reconhecendo problemas na condução do processo. Contudo, as confederações argumentam que a Fifa tenta reduzir o episódio a uma mera falha de comunicação. “O que a Fifa trata como uma falha de comunicação foi uma falha de julgamento”, afirmam.
Além disso, as confederações pedem uma investigação independente sobre o episódio, alegando que a análise deve ser conduzida por uma organização “totalmente independente”, sem participação da administração da Fifa ou de pessoas envolvidas no processo. O comunicado também solicita que documentos e registros relacionados ao projeto sejam preservados.
Outro ponto levantado é a reunião realizada no Marrocos, onde Infantino se encontrou com integrantes da alta administração da entidade. As confederações afirmam que apenas um dirigente eleito participou do encontro, enquanto membros do Conselho da Fifa e representantes das associações nacionais não foram convidados.
Na parte mais contundente do comunicado, as entidades criticam a centralização das decisões dentro da Fifa. “Não é a conduta de um guardião do jogo, mas de alguém que acredita que o jogo deve responder a ele”, afirmam. A carta conclui com um apelo por mudanças na liderança da Fifa, ressaltando que “há silêncio onde deveria haver responsabilidade, distância onde deveria haver abertura”.
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